Emergências respiratórias em SP registram alta significativa; idosos e crianças entre os mais afetados
Emergências respiratórias em SP registram alta significativa; idosos e crianças entre os mais afetados

Emergências respiratórias em SP registram alta significativa; idosos e crianças entre os mais afetados

Atendimentos de emergência por doenças respiratórias aumentam em São Paulo As emergências hospitalares em São Paulo registraram um aumento expressivo na procura por atendimento para doenças respiratórias nas últimas semanas. Segundo um levantamento realizado pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo (SindHosp), 88% das 91 unidades hospitalares associadas à entidade em todo […]

Resumo

Atendimentos de emergência por doenças respiratórias aumentam em São Paulo

As emergências hospitalares em São Paulo registraram um aumento expressivo na procura por atendimento para doenças respiratórias nas últimas semanas. Segundo um levantamento realizado pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo (SindHosp), 88% das 91 unidades hospitalares associadas à entidade em todo o estado observaram um crescimento na demanda por esses tipos de atendimento no período de 3 a 15 de junho.

Este índice representa um aumento considerável em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando 74% dos hospitais relataram alta na procura por pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A pesquisa, que ouviu representantes de hospitais de todo o estado, indica um cenário de preocupação com a saúde respiratória da população paulista.

A análise dos dados revela que o maior crescimento de casos ocorreu entre idosos na faixa etária de 60 a 80 anos, com um salto de 7% para 14%. No entanto, a faixa etária de 30 a 50 anos continuou concentrando a maioria dos atendimentos, representando 65% no ano passado e 68% neste ano. Entre as crianças, houve um leve crescimento na faixa de 5 a 11 anos (de 3% para 8%), enquanto os atendimentos para bebês e crianças de até 4 anos permaneceram estáveis, em torno de 8% e 9%.

Relato de caso e cenário nacional

O aumento na procura por atendimento é exemplificado pelo caso de Samuel, de 7 anos, que, juntamente com seu pai, Ricardo Barros, 50, apresentou sintomas de influenza e necessitou de avaliação hospitalar para descartar pneumonia. A mãe, Marly Silva Dias, relatou a febre alta do filho e o resultado positivo para influenza em teste rápido, o que motivou a busca por um pronto atendimento para a realização de um raio-x do pulmão. Apesar de não ter sido diagnosticado com pneumonia, Samuel apresentou muita secreção e necessitou de acompanhamento devido ao seu histórico de asma, rinite e infecções respiratórias recorrentes.

O cenário apontado pelo SindHosp em São Paulo está alinhado com as observações do Ministério da Saúde. O último informe de Vigilância das Síndromes Gripais, referente à semana epidemiológica 23, indica que a maioria das unidades federativas do Brasil, com exceção de Rondônia, Tocantins, Maranhão e Pernambuco, apresenta incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco.

O médico epidemiologista André Ricardo Ribas Freitas, consultor técnico do Conasems, considera o alerta do SindHosp válido e consistente com o cenário nacional. Ele explica que estamos no pico sazonal de inverno, o que favorece a circulação intensa e simultânea de diversos vírus já conhecidos, como o da gripe, Covid-19 e VSR (vírus sincicial respiratório).

Impacto no sistema de saúde e recomendações

Francisco Balestrin, médico e presidente do SindHosp, destaca que o aumento da demanda pode gerar estresse no sistema de atendimento e expor os profissionais de saúde a riscos, mesmo com os cuidados protetivos. O volume crescente de atendimentos também afeta a disponibilidade de leitos, testes laboratoriais e medicamentos.

Diante desse cenário, a recomendação para a população é procurar atendimento ambulatorial em Unidades Básicas de Saúde (UBS), ambulatórios ou utilizar serviços de telemedicina ao apresentar sintomas de doenças respiratórias, antes de recorrer aos serviços de urgência. Em caso de agravamento dos sintomas, como febre persistente, tosse, falta de ar ou dificuldade respiratória, a busca imediata por um serviço de urgência é fundamental para mitigar danos e evitar o agravamento dos casos.

Menos internações, mas mudança no perfil

Um dado relevante é que, apesar do aumento na procura pelos prontos-socorros, o número de internações por SRAG em São Paulo apresentou uma redução. Neste ano, 68% dos hospitais relataram aumento de pacientes internados com SRAG, contra 85% no ano passado. Balestrin atribui essa melhora à preparação dos hospitais com equipes mais ágeis, protocolos adequados e, principalmente, à vacinação, que contribui para casos menos graves.

As causas das internações também apresentaram mudanças. Em 2025, a pneumonia bacteriana ou viral liderava (39%), seguida pelas viroses respiratórias (32%). Em 2026, as viroses respiratórias assumiram o topo (31%), enquanto a pneumonia recuou para 16%. Um dado preocupante é a ascensão das doenças crônicas como causa de internação, que saltaram de 4% para 22% neste ano, indicando a combinação de infecções respiratórias com condições de saúde preexistentes, o que pode explicar o aumento de casos entre idosos. Crises de asma e exacerbação de DPOC também cresceram de 7% para 15%.

O que é SRAG?

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) não é uma doença específica, mas um conjunto de sintomas que afetam a respiração e podem causar lesões pulmonares. Caracteriza-se por dificuldade severa para respirar, podendo comprometer a oxigenação do sangue. Para ser classificada como SRAG, o paciente geralmente apresenta febre, tosse ou dor de garganta, desconforto respiratório ou falta de ar, e baixa saturação de oxigênio. As causas mais comuns incluem infecções virais (influenza, Covid-19, VSR) e bacterianas (pneumonia).

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