Eli Lilly entra com seis processos judiciais contra empresas nos Estados Unidos por comercialização indevida da retatrutida. A molécula, ainda em fase experimental, tem demonstrado resultados promissores em estudos clínicos para perda de peso e controle de diabetes tipo 2.
A farmacêutica americana Eli Lilly, conhecida por medicamentos como Mounjaro, anunciou nesta quarta-feira (12) a abertura de seis ações legais contra entidades nos EUA. As empresas processadas incluem farmácias de manipulação, clínicas de estética, spas médicos e vendedores online que estariam comercializando a retatrutida para consumo humano, apesar de a substância ser destinada exclusivamente para fins de pesquisa. A Lilly enfatiza que o produto vendido ilegalmente não passou por qualquer tipo de verificação de segurança ou eficácia.
A retatrutida é um agonista triplo, atuando em três receptores hormonais (GLP-1, GIP e glucagon) que regulam fome, saciedade, produção de insulina e gasto energético. Essa ação combinada a torna uma candidata promissora para tratamentos de obesidade e diabetes tipo 2, com estudos de fase 3 indicando perda de peso superior a 20% em alguns casos. No entanto, nenhum órgão regulador global aprovou até o momento medicamentos contendo retatrutida. A Eli Lilly planeja submeter um pedido de aprovação à FDA, agência reguladora dos EUA, no primeiro trimestre de 2027.
David Hyman, diretor médico da Lilly, declarou que a empresa leva a sério a responsabilidade de avaliar a segurança e eficácia de seus medicamentos em investigação. “O que está sendo vendido no mercado clandestino não é um medicamento, é algo totalmente não verificado, não aprovado e que não vale o risco”, alertou Hyman. A farmacêutica informou ter denunciado mais de 200 indivíduos e entidades às autoridades americanas, incluindo a FDA e o Departamento de Justiça, além de ter notificado mais de 14 mil sites e publicações que comercializariam o produto ilegalmente em mais de cem países.
Estudos de Fase 3 revelam potencial da retatrutida em perda de peso
Dados recentes de estudos de fase 3 apresentados pela Lilly reforçam o interesse na retatrutida. O estudo TRIUMPH-3, com quase 2 mil adultos com obesidade grave e doença cardiovascular, mostrou que participantes em doses de 9mg e 12mg perderam em média 21,6% e 22,6% do peso corporal, respectivamente, em cerca de 20 meses. No grupo placebo, a perda foi de 3,2%.
Já o estudo TRIUMPH-2, que incluiu mais de mil adultos com obesidade ou sobrepeso e diabetes tipo 2, registrou perdas de peso significativas. Na dose de 12mg, a redução média foi de 20,8% do peso corporal, comparada a 4% no grupo placebo. Esses resultados, embora promissores, ainda se referem a um medicamento em fase experimental.
Mercado ilegal e riscos à saúde
Apesar de a retatrutida não estar oficialmente disponível no mercado, apreensões de ampolas e canetas emagrecedoras anunciadas como retatrutida têm sido comuns, especialmente na fronteira brasileira com o Paraguai. A Receita Federal em Foz do Iguaçu já apreendeu produtos com indicação de origem alemã ou paraguaia, mas a procedência real é incerta.
A Eli Lilly do Brasil reforça que a retatrutida só é legalmente acessível aos participantes dos ensaios clínicos. A empresa adverte que qualquer substância vendida a consumidores fora desses testes é ilegal e não possui garantia de segurança, pureza ou dosagem, representando sérios riscos à saúde. A farmacêutica continua a colaborar com as autoridades para combater o mercado negro de medicamentos não regulamentados.
