Busca por sobreviventes na Colômbia é marcada pela angústia e esperança em meio a escombros
Busca por sobreviventes na Colômbia é marcada pela angústia e esperança em meio a escombros

Busca por sobreviventes na Colômbia é marcada pela angústia e esperança em meio a escombros

A esperança de Efraín Gallego e de muitos outros colombianos se agarra a cada anúncio de um sobrevivente encontrado em meio aos escombros, enquanto o país lida com um dos piores terremotos do século. A cena em Cali, terceira maior cidade da Colômbia, é de desolação. Montanhas de concreto, móveis e pertences pessoais marcam o […]

Resumo

A esperança de Efraín Gallego e de muitos outros colombianos se agarra a cada anúncio de um sobrevivente encontrado em meio aos escombros, enquanto o país lida com um dos piores terremotos do século.

A cena em Cali, terceira maior cidade da Colômbia, é de desolação. Montanhas de concreto, móveis e pertences pessoais marcam o local onde antes se erguiam edifícios, agora reduzidos a escombros pelo terremoto de magnitude 7.4 que abalou o país na segunda-feira (10). Em meio à destruição, a busca por sobreviventes é uma corrida contra o tempo, com equipes de resgate e voluntários em uma operação angustiante e cheia de esperança.

Efraín Gallego, com a voz embargada, expressa a angústia de quem tem um ente querido soterrado. Seu irmão de 80 anos e a esposa foram presos sob os escombros do edifício Torres del Limonar, um dos mais de 50 que desabaram em Cali. “É angustiante. Cada vez que há um alerta de que uma pessoa está viva, renasce em mim a esperança de encontrá-lo”, relata Gallego. A cidade, com dois milhões de habitantes, é uma das mais afetadas, contabilizando pelo menos 95 mortes apenas em seu território, segundo o prefeito Alejandro Éder. Números que ainda podem aumentar, com estimativas de mais de 250 óbitos em todo o país.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por agências de notícias e veículos de comunicação locais.

O cenário de destruição e a atuação das equipes de resgate

Na manhã de terça-feira (11), o Torres del Limonar era um amontoado de destroços. Colchões, móveis e objetos pessoais emergem entre o concreto, testemunhas silenciosas da força do tremor. Sobre os restos do prédio, equipes de bombeiros e voluntários se revezam em uma busca minuciosa. “Silêncio! Somos bombeiros. Se estiverem nos ouvindo, gritem ou façam qualquer barulho”, ecoa a voz dos socorristas, em um chamado que se repete a cada nova escavação, em momentos de pura tensão e expectativa. É nesses instantes que a esperança de Efraín Gallego e de tantos outros se renova, mas o silêncio que muitas vezes se segue traz de volta a apreensão.

Um dos piores terremotos da história recente

O terremoto, cujo epicentro foi em San José del Palmar, na região de Chocó, é classificado pelo Serviço Geológico Nacional como o “pior” registrado neste século na Colômbia. A destruição e as fatalidades se estenderam por regiões do noroeste do país e pelo Eixo Cafeeiro. Em Cali, a magnitude do desastre forçou o governo municipal a decretar toque de recolher durante a noite, visando otimizar os trabalhos de resgate. Relatos iniciais indicavam que cerca de 25 pessoas estariam presas sob os escombros do Torres del Limonar na noite de segunda-feira.

Apesar da incerteza, há relatos de sucesso nas operações. Um socorrista mencionou a retirada de cerca de dez pessoas com vida dos escombros, incluindo uma bebê de poucos meses. Outro socorrista, James Velasco, confirmou que pelo menos duas pessoas haviam sido detectadas com vida e que esforços estavam em andamento para liberá-las, uma delas com uma perna presa.

A força da solidariedade em meio à tragédia

Enquanto a contagem oficial de vítimas ainda é consolidada, a solidariedade emerge como um farol em meio à escuridão. Moradores locais, visivelmente abalados, se reúnem para oferecer apoio uns aos outros. Voluntários como Alejandro Mahecha, de 19 anos, juntam-se aos esforços, removendo escombros, distribuindo água e garantindo o acesso das equipes de resgate. “Queria ajudar desde o início. O terremoto afetou minha cidade e as casas de pessoas conhecidas”, disse Mahecha. A colaboração popular é um ponto de destaque, com a oferta de água, insumos e equipamentos, evidenciando a resiliência e a união do povo colombiano.

Apesar da angústia e da longa espera, a esperança persiste. “No passado, participei de operações em que conseguimos retirar sobreviventes depois de sete dias presos”, afirma Velasco, oferecendo um fio de otimismo. “Quem está destinado a sobreviver, sobrevive. Nada está escrito.” A cada silêncio que se segue aos chamados das equipes, Efraín Gallego, como tantos outros, continua a aguardar, agarrado à possibilidade de um reencontro.

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