Previsão inicial falha e rio Taquari transborda após vídeo de Eduardo Leite ser divulgado e apagado
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), gerou controvérsia ao publicar e, posteriormente, apagar um vídeo com uma previsão considerada equivocada sobre a cheia do Rio Taquari. Na gravação, divulgada em 21 de setembro, Leite afirmava que, mesmo com as chuvas previstas para aquela semana, o rio atingiria apenas a cota de alerta, sem transbordar. A declaração contrastou com a realidade que se desenrolou poucas horas depois.
Na madrugada do dia 22 de setembro, o Rio Taquari ultrapassou o limite de inundação, ganhando repercussão nacional a imagem de uma casa flutuando em meio à correnteza, lembrando a tragédia ocorrida no estado em 2024. Na ocasião, Leite apareceu em frente a monitores de precipitação de chuva, projetando: “O Rio Taquari deve superar a cota de alerta, mas não chega, nessas projeções, à cota de inundação”.
As informações foram reunidas a partir de reportagens da Gazeta do Povo e de informações divulgadas pela mídia local.
Falha em sistemas hidrológicos e nova previsão
O equívoco na previsão foi posteriormente admitido pelo coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Luciano Boeira. Ele atribuiu a falha a imprecisões nos sistemas hidrológicos do estado, fornecidos por uma empresa terceirizada, e resumiu a situação como “choveu mais do que o esperado”. A precipitação, que na véspera era estimada em 150 mm, alcançou 200 mm em alguns pontos no dia seguinte.
Em resposta à evolução do cenário, Eduardo Leite gravou um novo vídeo na manhã de quarta-feira, desta vez com um alerta sobre o transbordamento do rio. As fortes chuvas já haviam forçado mais de mil pessoas a deixarem suas residências no estado, segundo relatos da imprensa local.
Rio Taquari volta a ameaçar cidades castigadas
O Instituto MetSul previu que o recuo da cheia do Rio Taquari começaria a partir da quinta-feira (23). A situação é particularmente sensível para cidades como Lajeado e Estrela, que foram severamente afetadas por inundações há dois anos. A reportagem buscou contato com assessores de comunicação do governo gaúcho para obter mais detalhes sobre o vídeo apagado, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria, com o espaço permanecendo aberto para esclarecimentos.
