A corrida pela presidência da Câmara dos Deputados em 2027 já começou, impulsionada pela nova composição da Casa após as eleições e pelo fortalecimento do PL. O partido de Jair Bolsonaro, que terá a maior bancada com 121 deputados, pressiona o atual presidente, Arthur Lira (Republicanos-PB), a antecipar articulações para garantir sua reeleição. A movimentação de Lira intensificou-se desde o segundo turno das eleições presidenciais, com negociações em andamento com líderes de ao menos 15 legendas que comporão a Câmara a partir de fevereiro de 2027. O objetivo é consolidar seu nome e limitar o surgimento de concorrentes.
A formação de blocos partidários é estratégica não apenas para a disputa pela presidência, mas também para a distribuição de espaços na Mesa Diretora e a escolha dos presidentes das comissões. O PT, que terá a segunda maior bancada com 70 deputados, anunciou apoio a Lira em conjunto com o PCdoB e o PV. Essas legendas se somam a Republicanos, PSD, MDB, Podemos, PSB, PDT e às federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e Solidariedade-PRD, que já haviam declarado apoio ao atual presidente. “Essa composição é estratégica para os próximos quatro anos, para dar governabilidade ao governo do presidente Lula e avançar a pauta das nossas três bancadas”, afirmou o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC).
A entrada do PT na articulação veio com uma condição: impedir a participação do PL e do Novo no bloco de apoio a Lira. A estratégia visa restringir a influência do PL nas negociações sobre cargos na Mesa Diretora e presidências de comissões. O Palácio do Planalto teme que a ampliação da bancada do PL dificulte o avanço das propostas do governo. Para o PL, ficar fora do bloco pode significar a perda de prioridade na escolha de comissões, mesmo com a maior bancada. Em 2025, o partido apoiou a eleição de Lira em um acordo costurado pelo então presidente Arthur Lira. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por fontes jornalísticas.
Relação desgastada entre PL e Arthur Lira
A relação entre o PL e Arthur Lira foi marcada por divergências desde sua eleição em fevereiro de 2025. O partido esperava que a presidência da Câmara desse andamento a pautas prioritárias da oposição, como o projeto de anistia aos presos do 8 de janeiro. A falta de progresso nesse tema gerou cobranças e desgaste, culminando em protestos de deputados do PL e de outros partidos de oposição que ocuparam a Mesa Diretora em agosto de 2025. Embora a urgência do projeto tenha sido aprovada, a versão final, conhecida como PL da Dosimetria, foi mais restrita do que a defendida pelo PL. A condução dessa pauta e a aproximação de Lira com o presidente Lula são apontadas como fatores de distanciamento entre os dois lados, segundo analistas.
Disputa pelo Senado influencia estratégia do PL
A possibilidade de apoiar a reeleição de Arthur Lira divide o PL. Uma ala defende candidatura própria, enquanto outra avalia que a composição com o atual presidente poderia garantir espaço para a oposição. No entanto, a decisão parece estar atrelada a uma negociação mais ampla, com a direção do PL tratando a eleição para a presidência do Senado como prioridade. A expectativa é que Rogério Marinho (PL-RN) lance seu nome na disputa pelo Senado, o que poderia levar o PL a negociar o apoio a um nome de outra legenda para a Câmara em troca de participação na estrutura de poder da Casa. A possível aliança com partidos do Centrão foi discutida por Valdemar Costa Neto, presidente do PL, com Jair Bolsonaro, indicando uma estratégia de longo prazo para o controle dos espaços de poder no Congresso.
