NASA mantém cronograma para lançamento pioneiro de nave com reator nuclear em direção a Marte em 2028.
A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) confirmou que a SR-1 Freedom, a primeira nave espacial tripulada com propulsão nuclear destinada a missões interplanetárias, continua em desenvolvimento e tem lançamento previsto para dezembro de 2028. A nave tem como destino o planeta Marte, com chegada estimada para 2029.
A missão, anunciada em março deste ano, surge de um reaproveitamento de componentes. A decisão de cancelar a estação orbital lunar tripulada Gateway e priorizar o retorno à superfície da Lua deixou diversos módulos semiprontos sem utilização. Um desses módulos, o Elemento de Propulsão e Potência (PPE), em bom estado, serviu de base para a SR-1 Freedom. A nova nave incorporará um reator de fissão nuclear desenvolvido especificamente para operar no espaço interplanetário.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela NASA.
Tecnologia de ponta para agilizar a exploração espacial
O reator nuclear da SR-1 Freedom alimentará um sistema de propulsão iônica. Este sistema funciona acelerando moléculas de gás a altíssimas velocidades, oferecendo uma eficiência consideravelmente superior à propulsão química tradicional. Embora propulsores iônicos já sejam utilizados em missões espaciais, sua capacidade é geralmente limitada pela energia fornecida por painéis solares. O reator nuclear amplifica o potencial desta tecnologia.
O desenvolvimento da SR-1 Freedom é supervisionado por um Escritório do Reator Espacial dentro da NASA, responsável também pelo LR-1, o primeiro reator lunar, e por futuras tecnologias de propulsão nuclear, tanto elétricas quanto térmicas.
Impacto para a futura base lunar e viagens a Marte
Este teste é considerado crucial por duas razões principais. Primeiramente, acelera o desenvolvimento de reatores de fissão necessários para a base lunar que os Estados Unidos planejam estabelecer no polo sul lunar. Em segundo lugar, a propulsão nuclear é vista como essencial para viabilizar viagens tripuladas a Marte, que com tecnologias convencionais levariam tempo excessivo e ofereceriam menor flexibilidade em situações de emergência.
Missão SkyFall e cooperação internacional
Além da SR-1 Freedom, a missão levará a bordo a SkyFall, um módulo contendo três helicópteros semelhantes ao Ingenuity. Estes drones serão responsáveis pela exploração da superfície marciana após a entrada na atmosfera, prevista para 2030.
O custo estimado do projeto SR-1 Freedom gira em torno de US$ 2,1 bilhões, sem incluir os helicópteros da SkyFall, com o desenvolvimento do reator sendo conduzido pelo Departamento de Energia. A NASA também busca integrar parceiros internacionais, que ficaram sem lugar após o cancelamento do Gateway, no programa da base lunar, embora a transição se mostre complexa para agências como a ESA, Canadá e Japão.
