Primeiro debate para o governo do Rio de Janeiro expõe divergências e alvos políticos
O cenário eleitoral para o governo do Rio de Janeiro ganhou contornos mais definidos neste domingo (9) com a realização do primeiro debate entre os candidatos. O encontro, promovido pela Band, reuniu quatro concorrentes que não pouparam críticas uns aos outros, com destaque para os ataques direcionados ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), ausente no evento. A segurança pública emergiu como tema central, palco de intensos embates e propostas divergentes, além de trocas de acusações sobre alianças políticas e o histórico dos adversários.
Participaram do debate o deputado estadual Douglas Ruas (PL), o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), o vereador do Rio de Janeiro William Siri (PSOL) e o humorista André Marinho (Novo). As discussões foram marcadas por críticas à atuação política de Paes, suas alianças, declarações passadas e a decisão de deixar a prefeitura da capital para disputar o governo estadual.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Band e outras fontes jornalísticas.
Douglas Ruas sob fogo cruzado e críticas a Paes
Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), também foi alvo de ataques. Seus oponentes associaram sua trajetória política ao ex-governador Cláudio Castro (PL) e ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil), ambos investigados pela Polícia Federal. Ruas, que comandou a Secretaria de Cidades na gestão Castro, viu seu nome ser questionado em relação a essas associações.
William Siri classificou Ruas como “pupilo” de Bacellar, argumentando que seus aliados governam o estado há muito tempo. Ruas rebateu, afirmando ter “identidade própria” e que nunca escolheu um “chefe”, mas sim uma “missão”. Siri acusou Ruas de ter como sonho ver Rodrigo Bacellar governador, sugerindo que, sem a intervenção da PF, o Comando Vermelho estaria no poder. Ruas, por sua vez, rotulou o PSOL como um “grande aliado” de Bacellar, gerando um embate sobre os votos na Alerj após a prisão de Bacellar, com Ruas afirmando não estar presente na votação.
O deputado Douglas Ruas também direcionou críticas a Eduardo Paes, abordando episódios envolvendo o ex-prefeito e mulheres, além de declarações passadas. “Além de praticar agressões contra mulheres, ele (Paes) também se cerca de agressores. Quero dizer ao Paes que, no meu governo, agressor de mulher vai para a cadeia”, declarou Ruas.
André Marinho ecoou as críticas a Paes, lembrando uma promessa de campanha de 2024 em que o ex-prefeito teria afirmado que não deixaria a prefeitura do Rio. Anthony Garotinho questionou a declaração de bens de Paes, que somou R$ 189 mil, e mencionou a ligação do irmão do ex-prefeito com o BTG Pactual.
Segurança pública no centro do debate: do tráfico às milícias
A segurança pública dominou grande parte das discussões, com propostas e críticas contundentes. André Marinho classificou Paes como “fujão” e questionou sua capacidade de enfrentar chefes do tráfico, citando nomes como Doca, Naval e Peixão. “Vamos atrás de vocês e vamos prender vocês. E se vocês resistirem, vamos matar vocês”, afirmou Marinho, em tom desafiador.
Anthony Garotinho apresentou a segurança pública como uma de suas prioridades, citando o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como modelo, e afirmando que as “gangues (do país) praticamente acabaram”. Garotinho também fez acusações diretas a setores da política fluminense, associando candidaturas a organizações criminosas. “Duas candidaturas defendem uma das três organizações criminosas do estado. O estado tem o tráfico, a milícia e a Alerj: três organizações criminosas infestadas de bandidos. Um é amigo da Lucinha, da milícia. Outro é amigo do Bacellar, do Comando Vermelho”, disparou o ex-governador.
Disputa presidencial e apoios partidários em jogo
A eleição presidencial também foi um tema abordado no debate, com os candidatos declarando seus apoios. André Marinho afirmou que votará em Romeu Zema (Novo) no primeiro turno e que, no segundo turno, apoiará a “direita unida”, mencionando Flávio Bolsonaro. William Siri pediu votos para a reeleição de Lula e declarou apoio a Monica Benício (PSOL) e Benedita da Silva (PT) para o Senado.
Douglas Ruas destacou sua proximidade com a família Bolsonaro e seu apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. “Quero agradecer ao (ex-)presidente Bolsonaro, que confiou a mim a missão de concorrer a governador na chapa do próximo presidente da República, Flávio Bolsonaro”, declarou Ruas, reforçando seu alinhamento com o grupo político.
