De sobrevivente a empreendedor: jovem tetra-amputado funda empresa de próteses
De sobrevivente a empreendedor: jovem tetra-amputado funda empresa de próteses

De sobrevivente a empreendedor: jovem tetra-amputado funda empresa de próteses

Superação e Inovação: A Trajetória de Pedro Pimenta Aos 18 anos, a vida de Pedro Pimenta, então morador de Santana de Parnaíba (SP), era marcada pela rotina de estudos, esportes e convívio social. No entanto, em setembro de 2009, uma meningite meningocócica fulminante mudou drasticamente seu destino. Chegou ao hospital com menos de 1% de […]

Resumo

Superação e Inovação: A Trajetória de Pedro Pimenta

Aos 18 anos, a vida de Pedro Pimenta, então morador de Santana de Parnaíba (SP), era marcada pela rotina de estudos, esportes e convívio social. No entanto, em setembro de 2009, uma meningite meningocócica fulminante mudou drasticamente seu destino. Chegou ao hospital com menos de 1% de chance de sobrevivência, enfrentando seis dias em coma. Ao despertar, a dura realidade: seus braços e pernas estavam mortos, culminando em amputações acima dos cotovelos e joelhos, respectivamente, após uma infecção hospitalar acelerar o processo. Cinco meses e meio depois de deixar o hospital, Pedro se viu diante de um desafio monumental: a reabilitação como tetra-amputado.

Inicialmente, a extensão das perdas – metade das coxas e acima dos cotovelos – e a fragilidade da pele, resultado da natureza invasiva da meningococcemia, o tornaram um caso complexo, sem precedentes para o uso de próteses convencionais. Essa condição o levou a ser reconhecido globalmente como um caso de reabilitação singular. A busca por soluções o conduziu aos Estados Unidos, onde encontrou na Hanger Clinic, especializada em veteranos de guerra e casos complexos, o suporte necessário. Com o auxílio da clínica, que custeou quatro próteses, e um treinamento intensivo e rigoroso, Pedro iniciou sua jornada de adaptação.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela reportagem original.

Empreendedorismo e a Luta por Acesso à Reabilitação

Decidido a construir um futuro, Pedro Pimenta mudou seu foco acadêmico. Após iniciar em próteses e órteses, optou por economia, graduando-se e trabalhando por nove anos na área. A pandemia de Covid-19 o trouxe de volta ao Brasil, e foi nesse período que a ideia de fundar sua própria empresa tomou forma. Há cinco anos, Pedro é o fundador da Da Vinci Clinic, um centro de reabilitação e oficina ortopédica com unidades em Barueri (SP) e Belo Horizonte (MG), que oferece não apenas próteses, mas também serviços completos de fisioterapia e treinamento.

Pedro Pimenta aponta para gargalos significativos na reabilitação brasileira. A profissão de protesista e ortesista, regulamentada apenas recentemente após um longo trâmite legislativo, ainda carece de reconhecimento e formação de nível internacional. Além disso, o acesso a próteses de qualidade é um obstáculo considerável. Planos de saúde frequentemente se recusam a cobrir próteses externas, limitando a cobertura a implantes cirúrgicos. As próteses oferecidas pelo SUS, cujas tabelas não são atualizadas há mais de uma década, são descritas como desconfortáveis e difíceis de usar.

Perspectivas e o Futuro da Reabilitação

A professora titular de fisiatria da USP e idealizadora da Rede Lucy Montoro, Linamara Rizzo Battistella, corrobora a lentidão nos avanços da reabilitação, mas ressalta a importância e a abrangência do SUS. Ela destaca que, embora o sistema público tenha evoluído em suporte tecnológico, a velocidade de incorporação de inovações é limitada por fatores de pesquisa e custo, sem que isso implique necessariamente em falta de qualidade. Battistella também aponta para a carência de especialistas e a atuação de profissionais sem qualificação médica adequada como desafios técnicos no setor.

Nesse contexto de inovação e desafios, Pedro Pimenta, ao lado de especialistas como Linamara Battistella e Natã Vargas (fundador da startup de próteses biônicas LimbX), participará do Festival SP2B – São Paulo Beyond Business. O evento, que ocorre de 9 a 16 de agosto no Parque Ibirapuera, contará com um painel dedicado a discutir como os avanços tecnológicos estão revolucionando a reabilitação física e neurológica, explorando o potencial da tecnologia como ferramenta de inclusão e autonomia, e redefinindo conceitos de capacidade e qualidade de vida. O painel, intitulado “O Corpo Reabilitado: Tecnologia como Extensão da Vida”, acontecerá na terça-feira (11), das 15h às 16h, no Palco Decoding Life.

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