O debate público em torno de comentários privados do Dr. Anthony Fauci sobre a pandemia de Covid-19, feitos enquanto ele era um dos principais assessores científicos do governo Trump, é desproporcional e carece de base sólida. A discussão é descrita como um “pastel de vento” ou um “nothingburger”, recheado de nada, segundo uma análise crítica. As informações que sustentam essa visão foram compiladas a partir de análises de conteúdo e declarações públicas.
Um dos pontos centrais da crítica reside na cronologia dos fatos. As anotações de Fauci mencionando a hipótese de origem laboratorial do vírus Sars-CoV-2 datam de janeiro de 2020. Naquele momento inicial da pandemia, a incerteza era generalizada e o primeiro caso de Covid-19 no Brasil, por exemplo, seria confirmado apenas um mês depois. A “névoa da guerra”, como é descrita a confusão daquele período, tornava difícil qualquer afirmação categórica.
Em janeiro de 2020, havia precedentes claros de pandemias causadas por “spillover” (transbordamento de patógenos de animais para humanos), mas nenhum caso documentado de pandemias originadas acidentalmente ou deliberadamente em laboratório. Fauci, em suas anotações, não demonstrava convicção na hipótese de escape laboratorial, apostando mais no “spillover”, embora com dúvidas sobre o mercado de Wuhan. O primeiro estudo detalhado a dar mais peso à origem laboratorial só surgiria em abril de 2020. Portanto, seria irresponsável da parte dele dar peso público a essa hipótese naquele estágio inicial.
A análise ressalta que os dados mais recentes, incluindo estudos sobre a dinâmica de transmissão, ainda apontam para o “spillover” como a origem mais provável da pandemia. Embora reconheça que pesquisas sérias continuam e a conclusão possa mudar, o ônus da prova recai sobre quem defende uma origem que nunca ocorreu antes em pandemias.
Acusações sem fundamento científico
Outras acusações direcionadas a Fauci, como a de que experimentos sob seu aval teriam aumentado o risco de um escape viral ou que ele teria suprimido dados sobre a eficácia de cloroquina e ivermectina contra a Covid-19, também são consideradas infundadas com base nos textos disponíveis. A crítica argumenta que, diante da falta de vacinas, medidas como distanciamento social e uso de máscaras eram as únicas ferramentas disponíveis, guiadas pelo princípio da precaução.
A principal tese da crítica é que o escrutínio a Fauci não parte de uma busca genuína por fatos, mas sim de uma corrente política que desvirtua o conceito de verdade, alinhando-o à vontade de um líder. Nesse contexto, a expressão “quem não deve não teme” perde seu sentido, pois a busca por respostas claras e baseadas em evidências é obscurecida por interesses escusos.
