Condado no Arizona vira modelo na luta contra o calor extremo com iniciativas inovadoras
Condado no Arizona vira modelo na luta contra o calor extremo com iniciativas inovadoras

Condado no Arizona vira modelo na luta contra o calor extremo com iniciativas inovadoras

O calor que não dá trégua Enquanto grande parte dos Estados Unidos e da Europa enfrenta um verão de temperaturas recordes, cientistas alertam que o calor extremo tende a se tornar a nova normalidade. Fenômenos como ondas de calor mais intensas e frequentes, impulsionados pelas mudanças climáticas, já causam mortes e exigem adaptação urgente. Na […]

Resumo

O calor que não dá trégua

Enquanto grande parte dos Estados Unidos e da Europa enfrenta um verão de temperaturas recordes, cientistas alertam que o calor extremo tende a se tornar a nova normalidade. Fenômenos como ondas de calor mais intensas e frequentes, impulsionados pelas mudanças climáticas, já causam mortes e exigem adaptação urgente. Na França e no Reino Unido, milhares de mortes foram associadas ao calor extremo em junho e julho, enquanto nos EUA, o feriado de 4 de Julho registrou pelo menos 44 óbitos relacionados às altas temperaturas. O Brasil também tem sofrido, com alertas vermelhos emitidos pelo Inmet no fim de 2025 e recordes de calor em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

A pesquisadora Jennifer Marlon, da Universidade de Yale, destaca que o calor atual é distinto do de décadas passadas, pois as temperaturas noturnas não oferecem mais o alívio necessário para a recuperação do corpo humano. Essa realidade, agravada pelas mudanças climáticas, pressiona as cidades a buscarem soluções eficazes.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela BBC.

Phoenix: pioneirismo em gestão do calor

Em meio a essa crise climática, Phoenix, no Arizona, destaca-se como um laboratório de combate ao calor extremo. O condado de Maricopa, onde a cidade está localizada, registra algumas das temperaturas mais altas dos Estados Unidos e tem liderado iniciativas para proteger sua população. Desde 2021, a cidade conta com o cargo inédito de diretor de calor extremo, responsável por coordenar esforços e políticas públicas. Segundo Nicholas Staab, diretor médico do condado, a vantagem é saber que o calor será um problema anual, que se agrava e se torna mais previsível.

Os resultados dessas ações já são visíveis. Após um pico de 645 mortes em 2023, o número caiu para 405 em 2025, um feito atribuído por especialistas às novas políticas públicas. O foco principal tem sido ampliar o acesso a centros de resfriamento e a aparelhos de ar-condicionado gratuitos, especialmente para populações vulneráveis como pessoas de baixa renda, em situação de rua, idosos, crianças e indivíduos com doenças crônicas.

Centros de resfriamento e apoio direto

O condado mantém centros climatizados abertos ao público, com horários estendidos, inclusive operando 24 horas em alguns casos, oferecendo refúgio seguro contra o calor escaldante. Um programa inovador também oferece reparos ou a substituição de aparelhos de ar-condicionado para moradores elegíveis, abordando diretamente a falta de acesso a equipamentos essenciais. Essas medidas são vistas por especialistas como um modelo a ser seguido globalmente.

No entanto, a luta contra o calor extremo ainda enfrenta desafios. Até 11 de julho deste ano, o condado de Maricopa já registrava 23 mortes confirmadas e outras 282 sob investigação. Se confirmadas, o total pode superar o do ano anterior, indicando a necessidade de vigilância contínua e adaptação das estratégias.

Um modelo replicável para o mundo?

Especialistas como Ladd Keith, diretor da Iniciativa de Resiliência ao Calor da Universidade do Arizona, defendem que outras cidades podem e devem replicar o modelo de Phoenix. A criação de um cargo específico para gerenciar as políticas de calor extremo é vista como crucial para garantir a coordenação entre diferentes órgãos governamentais e a implementação eficaz de ações. “É fundamental que alguém seja responsável por essa questão. Se não for responsabilidade de ninguém, ninguém vai enfrentá-la”, afirma Keith.

A adaptação a um clima em constante mudança exige um reconhecimento coletivo da gravidade e permanência do problema. As mudanças climáticas, impulsionadas pela atividade humana, tornam as ondas de calor mais frequentes, intensas e duradouras. A temperatura média global já subiu mais de 1,1°C desde o início da era industrial e continuará a aumentar. Portanto, o calor extremo não é apenas uma questão de saúde pública, mas também de infraestrutura e economia, afetando estradas, voos e a vida cotidiana.

A mensagem dos especialistas é clara: é hora de parar de planejar com base no calor do passado e começar a se preparar para as temperaturas futuras. “Se as pessoas acham que está ruim agora, vai ficar mais quente e por mais tempo. Os recordes de temperatura continuarão sendo quebrados, praticamente todos os anos, em diferentes partes do mundo”, alerta Keith.

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