Concessionárias de saneamento pedem à Justiça suspensão temporária da fluoretação da água
Concessionárias de saneamento pedem à Justiça suspensão temporária da fluoretação da água

Concessionárias de saneamento pedem à Justiça suspensão temporária da fluoretação da água

Ações na Justiça Federal buscam suspender temporariamente a adição de flúor à água potável no Brasil. A Aesbe (Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento) e a Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento) protocolaram ações civis públicas na Justiça Federal do Distrito Federal pedindo a suspensão temporária da obrigatoriedade da adição de fluoreto à […]

Resumo

Ações na Justiça Federal buscam suspender temporariamente a adição de flúor à água potável no Brasil.

A Aesbe (Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento) e a Abcon (Associação Brasileira das Empresas de Saneamento) protocolaram ações civis públicas na Justiça Federal do Distrito Federal pedindo a suspensão temporária da obrigatoriedade da adição de fluoreto à água distribuída pelos sistemas de abastecimento no país. A justificativa apresentada pelas entidades é a escassez do ácido fluossilícico, componente essencial para o processo de fluoretação, que tem como objetivo a prevenção de cáries na população.

A lei federal 6.050, de 1974, determina a fluoretação da água, medida recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por sua eficácia na redução da incidência de cáries, especialmente em regiões mais vulneráveis. Segundo o Ministério da Saúde, a medida pode diminuir a prevalência de cáries em cerca de 50%. No entanto, as associações argumentam que a água, mesmo sem a adição do flúor, permanece própria para consumo.

As entidades buscam um prazo inicial de 90 dias sem a obrigatoriedade da fluoretação, com possibilidade de prorrogação mediante apresentação de relatórios técnicos. Além disso, pedem a formação de um comitê de crise pela União e a abstenção de multas pelo não cumprimento da lei durante o período de suspensão.

Causa da escassez e preocupações do setor

A Aesbe justifica o pedido pela iminente falta de ácido fluossilícico, um subproduto da produção de fertilizantes à base de fosfato. A fabricante Mosaic, uma das principais fornecedoras do insumo, teria interrompido o fornecimento após o aumento no preço do enxofre, matéria-prima para a fabricação de fertilizantes, impactado por conflitos no Oriente Médio e o fechamento do estreito de Hormuz.

A situação gera preocupação entre as concessionárias, que incluem grandes companhias como Sabesp, Cagece, Cagepa, Cesan, Sanepar e BRK. Elas temem o desabastecimento do produto nos próximos meses, o que poderia inviabilizar o cumprimento da legislação federal.

Posição do Ministério da Saúde

Procurado, o Ministério da Saúde informou que recebeu representantes da Aesbe e da Abcon em julho para avaliar o cenário e discutir medidas de apoio, incluindo o mapeamento de fornecedores. A pasta declarou que monitora os estoques de ácido fluossilícico no país e que a suspensão do uso do insumo requer análises técnicas consistentes e a adoção de medidas de contingência, que estão em estudo.

O ministério reforçou a importância da água fluoretada, citando estudos que apontam a redução de aproximadamente 50% na prevalência de cáries, com impacto significativo nas populações mais carentes. A decisão final sobre a suspensão da obrigatoriedade dependerá das análises em andamento e das decisões judiciais.

Tags:

Veja Também

Mulheres lideram compras de cuecas no Brasil, representando até metade das aquisições

Mulheres lideram compras de cuecas no Brasil, representando até metade das aquisições

Pediatria alerta sobre uso de 'canetas emagrecedoras' em crianças e adolescentes

Pediatria alerta sobre uso de ‘canetas emagrecedoras’ em crianças e adolescentes

Cruz Vermelha condena ataques a equipes de combate ao ebola na RDC

Cruz Vermelha condena ataques a equipes de combate ao ebola na RDC

Fungos e bactérias podem sobreviver na Lua, mas sem proliferação, aponta estudo

Fungos e bactérias podem sobreviver na Lua, mas sem proliferação, aponta estudo

Perda de 15% da força muscular já é sinal de alerta para mobilidade na velhice, aponta estudo

Perda de 15% da força muscular já é sinal de alerta para mobilidade na velhice, aponta estudo