O universo dos botecos vai além do chope gelado e dos petiscos tradicionais. Eles se consolidam como verdadeiros santuários para iguarias que, muitas vezes, são preteridas pelo grande público. Entranhas, hortaliças de sabor marcante e pequenos animais compõem um cardápio inusitado que encontra em bares e biroscas o seu palco ideal para subsistir.
O Bar do Berinjela, no Tatuapé, São Paulo, é um exemplo curioso dessa realidade. Fundado em 1964, o estabelecimento ostenta uma fachada roxa vibrante e dedica metade de seu cardápio a pratos e petiscos à base de berinjela. Embora o nome remeta ao vegetal, a ousadia temática ilustra como botecos podem abraçar ingredientes menos populares, transformando-os em protagonistas de suas cozinhas. A lógica, por trás dessa escolha, pode parecer desafiadora para o modelo de negócio tradicional, comparável a um restaurante chamado ‘Cantinho do Brócolis’ ou ‘Rei da Couve-de-Bruxelas’.
Tesouros culinários incomuns encontram lar nos botecos
A essência dos botecos, biroscas e estabelecimentos similares reside em sua capacidade de abrigar e celebrar o que a culinária convencional muitas vezes rejeita. São nesses ambientes despretensiosos que iguarias como fígado com jiló, um clássico do Mercado Central de Belo Horizonte, ou rã à dorê, prato que agrada em bares como o Luiz Nozoie e A Juriti em São Paulo, encontram seu público. A rã, apesar de sua carne delicada, pode causar estranhamento pela aparência inteira servida.
Ingredientes como moela, codorna, pescoço de peru e até mesmo roll mops – sardinhas avinagradas com cebola – ganham vida e sobrevivem em meio a mesas de plástico e bebidas como a jurubeba. Acredita-se que a natureza orgânica e a ausência de um plano de negócios rígido permitam que os donos de botecos sirvam aquilo que lhes agrada, criando um ambiente onde o cliente que não se adapta simplesmente busca outro lugar.
Baba Ghanoush: uma receita que celebra a berinjela
Em homenagem à versatilidade da berinjela, apresentamos uma receita de baba ghanoush diferenciada. A pasta árabe, tradicionalmente feita com berinjela e tahine, ganha uma textura aveludada e emulsificada ao processar o vegetal enquanto se adiciona azeite, resultando em um creme liso e saboroso.
Baba Ghanoush Diferentão
Rendimento: 2 porções
Tempo de preparo: Cerca de 30 minutos
Ingredientes:
- 1 berinjela grande
- 1 dente de alho
- Suco de meio limão
- 2 colheres (sopa) de tahine
- 50 ml de azeite extravirgem
- Sal, salsinha e sumac a gosto
Modo de preparo:
- Queime todos os lados da berinjela na chama do fogão para obter um aroma defumado característico. Deixe esfriar abafada em um saco fechado.
- Descasque a berinjela, descartando o talo.
- Misture a berinjela com o alho, o tahine e o suco de limão.
- Bata no processador, adicionando o azeite aos poucos, até obter um creme consistente.
- Tempere com sal, salsinha e sumac. Sirva com pão pita ou pão sírio.
As informações foram reunidas a partir de relatos de experiências em estabelecimentos gastronômicos e receitas tradicionais.
