Alta adesão à vacinação contra o sarampo em São Paulo mobiliza unidades de saúde e expõe desafios logísticos.
A campanha de vacinação contra o sarampo na cidade de São Paulo registrou uma adesão expressiva nesta sexta-feira (7), levando a filas em diversas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e, em alguns postos, a faltas pontuais do imunizante. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que a alta demanda também atraiu moradores de cidades do interior do estado em busca da vacina na capital. As escassezes momentâneas, segundo a pasta, estão sendo solucionadas através da redistribuição de doses entre as unidades.
Para auxiliar a população a localizar postos com doses disponíveis e informações sobre filas, a prefeitura disponibiliza o site “De Olho na Fila”. Simone Guimarães, assessora técnica do Programa Municipal de Imunizações, explicou que o sistema é atualizado de três a quatro vezes ao dia pelas próprias UBSs, fornecendo dados em tempo real. A vacina está disponível em todas as UBSs da cidade de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados em AMAs integradas às UBSs, no mesmo horário. A unidade mais próxima pode ser encontrada na plataforma “Busca Saúde”.
Em um esforço para ampliar o acesso, a prefeitura também implementou postos de vacinação extramuros, cujos locais podem ser consultados na página “De Olho na Carteirinha” no site da Prefeitura de São Paulo. A reportagem visitou duas UBSs nesta sexta-feira (7) e constatou movimento intenso nas salas de espera, com tempos de atendimento variando entre uma e duas horas. Em ambas as unidades, Brás Doutor Manoel Saldiva Neto (zona leste) e Nossa Senhora do Brasil Doutor Armando D’Arienzo (centro), havia disponibilidade da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Entendendo a campanha e as recomendações para a vacinação
A recomendação atual da campanha é a aplicação de uma dose da vacina em toda a população de 6 meses a 59 anos, independentemente de já terem tido a doença ou recebido doses anteriores. A única contraindicação é para quem tomou, nos últimos 30 dias, outras vacinas de vírus vivos atenuados, como febre amarela, varicela, dengue ou a própria vacina contra o sarampo, sendo necessário respeitar o intervalo mínimo.
Simone Guimarães ressaltou que a estratégia visa interromper a circulação do vírus, especialmente considerando que muitos adultos não possuem registros de vacinação. Por isso, o Ministério da Saúde indicou a vacinação de toda a população elegível em três municípios paulistas com circulação do vírus: São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. Desde o início da campanha de multivacinação na capital, em 3 de julho, foram aplicadas 123.421 doses contra o sarampo, além de 66.505 doses de outros imunizantes.
O aumento de casos de sarampo tem sido um alerta. Neste ano, foram registrados 20 casos no município de São Paulo e 23 no estado, com sete novas infecções na capital em menos de uma semana. Em contraste, todo o ano passado teve apenas dois casos no estado. Maria Rosa Santos Silva, 59, cuidadora de idosos, procurou a vacina após acompanhar as notícias. “Não vi nenhum caso de perto, mas vi as notícias. Mesmo já tendo tido a doença e também já vacinada, sei que é uma doença grave e não quero ficar doente”, declarou após esperar duas horas e meia.
Rudy Ritter, 36, publicitário, aproveitou o horário de almoço para se vacinar no centro da cidade, mas a espera de uma hora e meia comprometeu seu intervalo. “Saí um pouco na hora do almoço para vacinar, mas demorou mais. Ainda precisava comer, então acabou tomando umas duas horas de trabalho”, relatou. Ele reforçou a proteção, mesmo tendo sido vacinado na infância e em campanhas anteriores. “Não teve nenhum caso perto de mim, mas eu vim após ver as notícias. Eu sempre gosto de participar das campanhas de vacinação e garantir uma segurança. É mais uma prevenção mesmo”, afirmou.
Simone Guimarães enfatizou que o sarampo é uma doença grave e a vacinação é a principal forma de prevenção. A alta circulação de pessoas em São Paulo aumenta o risco de transmissão do vírus para indivíduos não protegidos. O sarampo é uma infecção viral contagiosa, transmitida por partículas respiratórias. Seus sintomas incluem febre alta, manchas avermelhadas na pele, conjuntivite, coriza, tosse seca e mal-estar. Não há tratamento específico para o vírus, focando-se no alívio dos sintomas. As complicações podem ser graves, como pneumonia, infecções de ouvido, inflamação cerebral (encefalite) e, em casos extremos, levar à morte, com maior risco para crianças pequenas e pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, a campanha oferece uma dose extra para pessoas de 6 meses a 59 anos. Bebês de 6 a 11 meses e 29 dias recebem a dose zero. Em outros municípios brasileiros, segue-se o esquema de rotina do Ministério da Saúde: duas doses, aos 12 e 15 meses. A vacina é segura e eficaz, mas contraindicada para imunossuprimidos, bebês menores de 6 meses e gestantes. Pessoas com histórico de alergia ou reações anteriores devem buscar orientação médica.
