Brasil registra menor número de casos de malária desde 1978
O Brasil alcançou um marco histórico na luta contra a malária, registrando o menor número de casos desde 1978. Segundo dados recentes, houve uma redução de 30% nos óbitos e de 30,7% nos casos da forma mais grave da doença. As mortes caíram de 56 para 39, enquanto os casos contraídos no território nacional somaram 118.037, uma diminuição de 14,8% em relação ao ano anterior.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, atribuiu esses resultados ao início da oferta da tafenoquina no Sistema Único de Saúde (SUS), além da ampliação de diagnósticos, testes e tratamentos adequados. A tafenoquina, administrada em dose única, foi incorporada ao SUS em 2023 para pacientes adultos e, desde março de 2026, também está disponível em formulação pediátrica para crianças a partir de 2 anos.
Mais de 33,7 mil pessoas utilizaram o medicamento até junho de 2026, com 3.920 tratamentos realizados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). A eficácia da tafenoquina reside em sua capacidade de atuar sobre a forma do parasita que permanece no fígado, prevenindo recaídas, um aspecto crucial já que a malária causada pelo tipo mais comum pode se manifestar novamente após o tratamento inicial.
Expansão do tratamento e resultados em áreas prioritárias
A formulação pediátrica da tafenoquina já atendeu 1.446 crianças e adolescentes até junho de 2026 e está disponível em 54 municípios e 17 DSEIs. A capacitação de mais de 2,4 mil profissionais de saúde para o uso do medicamento tem sido fundamental. No DSEI Yanomami, por exemplo, 1.515 pessoas receberam o tratamento, resultando em uma queda de 61,9% nas recaídas de malária entre março e junho de 2026, comparado ao mesmo período de 2025. No geral, os casos da doença diminuíram 55% na região entre janeiro e julho de 2026, em relação ao ano anterior.
Os dados foram apresentados por Padilha durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), em Brasília. O ministro destacou que esses avanços se alinham às metas do Brasil Saudável, que visa eliminar ou reduzir 11 doenças e cinco infecções de transmissão vertical como problema de saúde pública até 2030, com a participação de 14 ministérios.
Entre as conquistas já certificadas estão a eliminação da filariose linfática (elefantíase) em setembro de 2024 e da transmissão vertical do HIV em dezembro de 2025. A estratégia de saúde pública também monitora doenças próximas da eliminação, seguindo critérios de organismos internacionais.
Entendendo a Malária
A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles. Seus sintomas clássicos incluem febre alta, calafrios, tremores, sudorese e dor de cabeça. Formas graves da doença podem apresentar prostração, convulsões, alteração da consciência, hipotensão, choque, dificuldade respiratória e hemorragias. A doença não é transmitida de pessoa para pessoa.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
