Astrônomos identificam vestígios de duas estrelas que explodiram em sistema binário
Astrônomos identificam vestígios de duas estrelas que explodiram em sistema binário

Astrônomos identificam vestígios de duas estrelas que explodiram em sistema binário

Descoberta inédita lança luz sobre o fim de estrelas massivas em pares Cientistas anunciaram nesta terça-feira (21) a descoberta de evidências pela primeira vez de que duas estrelas em um sistema binário esgotaram seu combustível e explodiram em supernovas em um intervalo de tempo relativamente curto. O feito, publicado na revista Nature Communications, permitiu a […]

Resumo

Descoberta inédita lança luz sobre o fim de estrelas massivas em pares

Cientistas anunciaram nesta terça-feira (21) a descoberta de evidências pela primeira vez de que duas estrelas em um sistema binário esgotaram seu combustível e explodiram em supernovas em um intervalo de tempo relativamente curto. O feito, publicado na revista Nature Communications, permitiu a identificação de duas nebulosas distintas, remanescentes dessas violentas mortes estelares.

As nebulosas, estruturas expansivas de gás quente e partículas deixadas para trás após a explosão de uma estrela, são conhecidas formalmente como Medusa (IC 443) e a recém-identificada G189.6+3.3. Localizadas a aproximadamente 6.000 anos-luz da Terra, na constelação de Gêmeos, essas formações cósmicas oferecem um cenário único para o estudo da evolução estelar.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters.

Um olhar sobre a morte de gigantes estelares

De acordo com os autores do estudo, a nebulosa Medusa é o resultado da explosão de uma estrela com massa entre 15 e 25 vezes superior à do Sol. A nebulosa G189.6+3.3, por sua vez, surgiu da supernova de sua estrela companheira, que também era significativamente maior que o nosso Sol. Estima-se que ambas as estrelas tenham sido dezenas de milhares de vezes mais luminosas que o Sol e, após suas explosões, podem ter se transformado em estrelas de nêutrons, objetos extremamente densos.

Miltiadis Michailidis, pesquisador da Universidade Stanford e autor principal do estudo, destacou a raridade da descoberta. “Nenhum par em que ambas as estrelas tenham sido supernovas e deixado remanescentes observáveis havia sido identificado anteriormente”, afirmou. Ele ressaltou que o sistema oferece uma oportunidade ímpar de reconstruir a história evolutiva completa de um sistema binário massivo, desde seu nascimento até as supernovas e os vestígios deixados.

A dinâmica de sistemas binários massivos

Estrelas massivas frequentemente nascem em sistemas com múltiplas companheiras e possuem ciclos de vida curtos, medidos em milhões de anos, em contraste com os cerca de 10 bilhões de anos de vida esperados para o Sol. Sistemas como o recém-estudado são cruciais para entender como a presença de uma estrela companheira modifica a evolução de sua parceira, uma questão fundamental na astrofísica estelar.

Até agora, o entendimento sobre os estágios finais da vida de estrelas massivas baseava-se predominantemente em modelos teóricos e simulações. Este novo estudo, que utilizou dados de mais de 16 anos de observações do Telescópio Espacial de Raios Gama Fermi da NASA, fornece dados observacionais diretos.

Uma dança cósmica até a explosão final

A estrela associada à nebulosa G189.6+3.3 foi a primeira a explodir. Os pesquisadores estimam que o intervalo entre as duas explosões tenha sido de 20 mil a 110 mil anos. “A primeira explosão desestabilizou o sistema binário, e a companheira sobrevivente continuou se movendo pelo espaço até também explodir”, explicou Michailidis.

Originalmente, as duas estrelas orbitavam em proximidade, possivelmente a apenas algumas vezes a distância entre a Terra e o Sol. Atualmente, os centros das duas supernovas estão separados por 30 a 50 anos-luz. É possível que, enquanto o sistema binário estava intacto, tenha ocorrido transferência de massa entre as estrelas, fenômeno em que material flui de uma para outra. Contudo, ainda não está claro se a explosão da primeira supernova desencadeou diretamente a explosão da segunda, ou se esta última já estava próxima do fim de sua vida.

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