Descoberta perto do Coliseu lança nova luz sobre a estrutura militar romana
Arqueólogos desenterraram um complexo edifício do século II, adornado com mosaicos e vestígios de afrescos, nas imediações do icônico Coliseu, em Roma. A superintendência de arqueologia da cidade italiana divulgou nesta quarta-feira (5) a hipótese de que o local possa ter servido como quartel para os bombeiros da Roma Antiga, conhecidos como Vigiles. A descoberta, financiada com recursos da União Europeia para a recuperação econômica pós-Covid, promete reavaliar a extensão de um dos importantes complexos militares do Império Romano.
Cinco dos oito cômodos do edifício foram completamente escavados no parque da Villa Celimontana, um local histórico situado no Monte Célio, uma das sete colinas de Roma. Entre os achados mais notáveis está um mosaico vívido que retrata um golfinho, um peixe, uma lagosta e um caranguejo, dispostos ao redor de um grande vaso decorativo. Além disso, foram encontrados fragmentos de um teto pintado, com padrões circulares em tons de vermelho e azul.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Superintendência de Arqueologia, Belas Artes e Paisagem de Roma.
Evidências apontam para quartel dos Vigiles
A semelhança do mosaico encontrado com outro descoberto anteriormente em um quartel de bombeiros em Óstia, o antigo porto de Roma, reforça a teoria de que o novo edifício pertencia à Quinta Coorte dos Vigiles. Os Vigiles desempenhavam um papel crucial durante o Império Romano, sendo responsáveis não apenas pelo combate a incêndios, mas também pela manutenção da ordem pública durante a noite. O quartel, situado próximo ao recém-descoberto edifício, era abastecido com água de um aqueduto vizinho.
A Superintendência ressaltou que, caso a hipótese seja confirmada, a descoberta contribuirá significativamente para a compreensão da dimensão de um dos mais importantes complexos militares da Roma imperial.
Hipóteses alternativas e próximos passos
Apesar da forte evidência, os arqueólogos consideram uma hipótese alternativa: a de que o local possa ter sido uma residência patrícia, ou domus, semelhante a outras encontradas na região do Monte Célio. A sofisticação dos ornamentos descobertos poderia sustentar essa interpretação.
No entanto, a Superintendência de Arqueologia enfatiza que apenas um estudo aprofundado dos materiais e estruturas exumadas fornecerá informações definitivas sobre a real função do edifício. A análise detalhada dos artefatos e das construções deverá esclarecer se o local servia a propósitos militares ou residenciais de alto padrão, moldando assim a nossa percepção sobre a vida e a organização urbana na Roma Antiga.
