Apartamento, jatinhos e R$ 3,5 milhões: PF detalha suspeitas contra Jaques Wagner no caso Master
Apartamento, jatinhos e R$ 3,5 milhões: PF detalha suspeitas contra Jaques Wagner no caso Master

Apartamento, jatinhos e R$ 3,5 milhões: PF detalha suspeitas contra Jaques Wagner no caso Master

Nova fase da Operação Compliance Zero mira o senador Jaques Wagner em investigações sobre o Banco Master A Polícia Federal (PF) aprofundou as investigações sobre o Banco Master, colocando o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, no centro das apurações. A nova fase da Operação Compliance Zero suspeita que o parlamentar […]

Resumo

Nova fase da Operação Compliance Zero mira o senador Jaques Wagner em investigações sobre o Banco Master

A Polícia Federal (PF) aprofundou as investigações sobre o Banco Master, colocando o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, no centro das apurações. A nova fase da Operação Compliance Zero suspeita que o parlamentar tenha recebido vantagens indevidas, incluindo um apartamento de R$ 2,45 milhões, uso de aeronaves privadas e repasses financeiros a empresas ligadas ao seu entorno familiar. O caso gerou movimentação no Palácio do Planalto, com discussões sobre a necessidade de Wagner se afastar da liderança para se defender.

De acordo com os investigadores, as suspeitas envolvem não apenas benefícios patrimoniais e financeiros atribuídos a pessoas próximas ao senador, mas também uma suposta atuação de Wagner em temas de interesse do Banco Master no Congresso Nacional. Entre os pontos investigados estão mudanças nas regras do crédito consignado, discussões sobre limites de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e articulações relacionadas à tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

A PF aponta que Jaques Wagner seria o “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas”. As investigações também alcançaram Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do senador e atual secretário de Meio Ambiente da Bahia. Ele é suspeito de participar de cobranças de pagamentos e de repasses milionários para empresas ligadas à família de Wagner.

Conforme apurado pela Gazeta do Povo, a nova fase da operação, que também envolveu buscas e apreensões em endereços ligados ao senador, pegou de surpresa auxiliares do presidente Lula e integrantes da bancada petista. Nos bastidores, discute-se a conveniência de Wagner se afastar da liderança do governo no Senado para se dedicar à sua defesa, visando evitar que o escândalo contamine a imagem do governo e a campanha eleitoral deste ano. Wagner, contudo, já declarou que não deixará o cargo nem desistirá de sua pré-candidatura à reeleição.

Detalhes das Suspeitas da PF

As investigações detalhadas pela PF indicam que as vantagens atribuídas ao entorno de Jaques Wagner estariam conectadas à atuação do grupo ligado ao Banco Master. Um dos focos principais é a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões. Segundo a PF, Wagner teria repassado informações sobre o imóvel e o corretor responsável para o empresário Augusto Lima, apontado como um dos operadores do ecossistema financeiro do Banco Master. A aquisição do imóvel por uma empresa levantou suspeitas de ocultação do verdadeiro beneficiário.

Além do apartamento, a PF afirma que Wagner e familiares teriam utilizado aeronaves ligadas a Augusto Lima e ao Banco Master em diversas ocasiões. Encontros em propriedades associadas ao empresário e mensagens solicitando contatos de pilotos para deslocamentos particulares foram mencionados como evidências. Outro ponto investigado é o pagamento de ingressos para shows internacionais nos Estados Unidos, no valor de R$ 63,3 mil, custeado pelo grupo ligado a Augusto Lima, com solicitação de ampliação do número de convidados por parte do senador.

No eixo financeiro, a Polícia Federal identificou repasses de R$ 3,5 milhões para uma financeira associada a familiares de Jaques Wagner, provenientes de uma corporação vinculada ao Banco Master e à operação do CredCesta. Planilhas apreendidas também revelaram pagamentos superiores a R$ 2,3 milhões destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”, associada por investigadores a Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do senador.

Atuação Parlamentar em Pauta

Para a PF, os benefícios financeiros e patrimoniais não seriam fruto apenas de amizade, mas sim de uma relação de interesses entre Wagner e o grupo do Banco Master. Um dos eixos da investigação é a suposta atuação parlamentar do senador em temas estratégicos para a instituição financeira. Isso inclui conversas sobre medidas para ampliar a margem consignável e permitir empréstimos para beneficiários do BPC e de programas de transferência de renda.

Outro ponto sob escrutínio é a PEC 65/2023, que trata da autonomia do Banco Central. Uma emenda apresentada, que ampliava a cobertura do FGC, teria sido elaborada pela assessoria do Banco Master e enviada a Wagner por Augusto Lima. As mensagens trocadas entre os dois, segundo a PF, indicam que o senador não seria um mero destinatário passivo de informações, mas um interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico.

As investigações também abordam a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB. Augusto Lima teria mantido o senador informado sobre detalhes da operação e iniciativas no Congresso relacionadas ao negócio. Mensagens trocadas entre eles sugerem uma relação funcionalmente direcionada, tratando de temas como rating da instituição, estrutura acionária, o Will Bank e até a criação de uma CPI.

Reações e Estratégia do Governo

O ministro do STF André Mendonça determinou sigilo estrito sobre a operação, o que foi interpretado como uma cautela para evitar vazamentos políticos. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente Lula foram informados formalmente da ação apenas quando os mandados já estavam sendo cumpridos.

A ofensiva da PF contra Jaques Wagner atingiu um dos aliados mais próximos do presidente Lula, abrindo uma nova frente de desgaste para o governo. Integrantes do Planalto admitem reservadamente que um eventual afastamento de Wagner da liderança poderia ter ocorrido antes para evitar que o Executivo fosse arrastado para a crise. A orientação é tratar o caso como uma questão de responsabilidade individual, dissociando a imagem de Lula dos desdobramentos da investigação.

A direção nacional do PT, em nota assinada pelo presidente Edinho Silva, saiu em defesa do senador, afirmando que ele é “depositário de toda a nossa confiança” e que o partido confia que Wagner “esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”. O ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, defendeu as investigações, afirmando que a PF tem autonomia para apurar tudo.

O senador Jaques Wagner, em entrevista à BandNews, negou qualquer atuação em favor do Banco Master e explicou que o apartamento investigado fazia parte de uma negociação para ajudar sua filha na aquisição de um imóvel. Ele afirmou que os valores em espécie apreendidos têm origem regular, provenientes de diárias de viagens. Wagner também negou proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro e descartou deixar a liderança do governo ou desistir de sua pré-candidatura.

A defesa do empresário Augusto Ferreira Lima declarou que as diligências foram “desnecessárias”, pois o investigado está “há seis meses à disposição das autoridades”. A defesa sustenta que os fatos apurados são “rigorosamente lícitos” e que o empresário “sempre atuou dentro dos limites da lei”.

Oposição vê confirmação de suspeitas antigas

Integrantes da oposição viram a operação como uma confirmação de suspeitas levantadas desde a CPMI do INSS. Parlamentares afirmam que documentos obtidos já indicavam uma conexão entre o Banco Master e figuras do PT da Bahia, especialmente em torno da operação do CredCesta. Deputados como Kim Kataguiri e Sostenes Cavalcante associaram a operação à origem do CredCesta e criticaram o discurso petista sobre corrupção.

Cientistas políticos avaliam que a entrada de Jaques Wagner no centro das investigações dificulta a estratégia do governo de dissociar o caso de figuras ligadas à oposição. A percepção é que o escândalo atinge diferentes campos políticos, potencializado pelo peso do senador no cenário nacional. Para alguns analistas, o impacto tende a ser maior na imagem do governo do que na sua capacidade de articulação no Congresso, enquanto outros preveem reflexos institucionais mais limitados, dado o controle governista das pautas legislativas.

Tags:

Veja Também

Volkswagen considera corte de até 100 mil empregos para enfrentar concorrência chinesa e impulsionar eletrificação

Volkswagen considera corte de até 100 mil empregos para enfrentar concorrência chinesa e impulsionar eletrificação

Investigação sobre “Careca do INSS” e Lulinha trava na PF por falta de efetivo

Investigação sobre “Careca do INSS” e Lulinha trava na PF por falta de efetivo

Famílias venezuelanas processam Nicolás Maduro nos EUA por supostos assassinatos extrajudiciais

Famílias venezuelanas processam Nicolás Maduro nos EUA por supostos assassinatos extrajudiciais

Calor extremo na gravidez pode comprometer desenvolvimento de bebês, aponta pesquisa brasileira

Calor extremo na gravidez pode comprometer desenvolvimento de bebês, aponta pesquisa brasileira

A Curva Normal: Da Altura Brasileira à História da Estatística

A Curva Normal: Da Altura Brasileira à História da Estatística