Ofensiva política no Congresso mira investigações em andamento e busca equiparar pressões sobre os campos políticos.
A cinco dias do segundo turno das eleições presidenciais, o Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou nesta terça-feira (20) a articulação para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) com o objetivo de investigar suspeitas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Paralelamente, a legenda declarou apoio à investigação parlamentar do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A iniciativa, segundo a liderança do partido na Câmara, visa demonstrar isonomia e pressionar a oposição, além de tentar diminuir a vantagem de Flávio Bolsonaro sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), afirmou em entrevista a jornalistas que a proposta surge em nome da democracia e da transparência. “Nós queremos que a extrema direita, que o time do Flávio Bolsonaro, tenha a mesma postura que nós”, declarou. A ofensiva petista mira duas apurações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF): uma relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz e outra sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, que teria recebido recursos do fundo Havengate, ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A defesa da investigação sobre Lulinha, filho do presidente Lula, é apresentada pelo PT como um gesto para mostrar que o partido não se opõe a apurações que envolvam sua própria base política. A oposição tem defendido essa investigação ao longo da campanha eleitoral, levantando suspeitas de tráfico de influência com a lobista Roberta Luchsinger. A informação foi divulgada pelo líder do PT na Câmara, Pedro Uczai.
Articulação para a CPMI e contraponto à oposição
De acordo com Uczai, o pedido de CPMI já conta com o apoio de 100 parlamentares, sendo 85 deputados federais e 15 senadores, embora a lista completa de assinaturas ainda não tenha sido divulgada. Para a instalação da comissão, são necessárias 198 assinaturas – 171 deputados e 27 senadores – e a leitura do requerimento pelo presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP). O PT afirma que não pretende retirar seu apoio a possíveis pedidos de CPI da oposição, buscando a aprovação de ambas as investigações.
O requerimento de CPI apresentado pela oposição, segundo a assessoria da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), já reuniu 121 assinaturas, número inferior ao necessário para a instalação. Uczai reiterou que o objetivo das investigações é “tirar a limpo todo esse país” e esclarecer envolvimentos criminais.
Acusações de Roberta Luchsinger e investigação em curso
No último fim de semana, Roberta Luchsinger declarou sua intenção de negociar um acordo de delação premiada para colaborar com as investigações e evitar responder sozinha às acusações. Durante o debate da Band, ela também acusou o presidente Lula de mentir sobre suas relações. Luchsinger afirmou que Lulinha se reunia semanalmente com ministros, incluindo Camilo Santana (Educação) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), em uma mansão que ela administrava em Brasília. O tráfico de influência, crime investigado pela Polícia Federal, ocorre quando alguém utiliza proximidade com autoridades para obter vantagens indevidas.
As informações sobre os pedidos de CPI e as declarações de Roberta Luchsinger foram compiladas a partir de notícias divulgadas por veículos de imprensa.
