Campanha de Flávio Bolsonaro aciona TSE contra deputado petista por disseminação de desinformação e ataques institucionais.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificaram os ataques contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos indicados por Jair Bolsonaro e com assento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A estratégia visa, segundo informações, desgastar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e a direita, com acusações e ofensas direcionadas principalmente ao deputado federal André Janones (Rede-MG), peça-chave na mobilização digital do PT.
A defesa da campanha de Flávio Bolsonaro já pediu ao TSE a investigação de Janones por supostamente operar o canal de WhatsApp “Exército de Lula”. O canal se tornou um ponto de discórdia no TSE, com decisões divergentes entre os ministros Nunes Marques, que determinou sua suspensão, e Ricardo Cueva, que manteve sua operação. Advogados do PL descrevem o canal como uma “estrutura organizada, com comando centralizado, tropa disciplinada e método declarado, montada para produzir e espalhar desinformação em escala industrial”.
As ações no TSE listam vídeos em que Janones ataca diretamente Mendonça, com alegações que a defesa de Flávio Bolsonaro considera ataques institucionais que demandariam uma resposta firme por parte da Corte, comparável às medidas adotadas contra apoiadores de Bolsonaro que confrontaram o TSE no passado.
Acusações de desinformação e pedidos de prisão
Um dos episódios citados envolve uma suposta desinformação propagada por Janones sobre o ministro André Mendonça. Em 9 de setembro, o deputado teria orientado militantes a espalhar um vídeo acusando Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para liberar criminosos envolvidos em um escândalo do INSS. Janones chegou a afirmar que Mendonça, junto com Flávio Bolsonaro e a extrema direita, seria o líder de uma “quadrilha” no país.
No dia anterior a essa declaração, Janones insinuou que Mendonça teria afastado Rodrigues para impedir que a PF investigasse Flávio Bolsonaro em um caso envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. No entanto, o afastamento de Rodrigues foi justificado por Mendonça devido à produção de relatórios apócrifos de inteligência e monitoramento clandestino de autoridades, que já haviam sido usados pelo ministro Alexandre de Moraes para acusar Mendonça de abuso de autoridade.
Após as ofensivas, Janones passou a incentivar nas redes a campanha “Fora Mendonça”. Em resposta, um pedido de prisão contra o parlamentar foi distribuído a Mendonça. Em gravação, Janones declarou que cumpriria qualquer ordem judicial, mas ponderou que poderia mobilizar seus seguidores contra o magistrado, embora afirmasse que não o faria por respeito ao Estado Democrático de Direito, aprendido com o presidente Lula.
Investigação contra Kassio Nunes Marques e disputa no STF
Paralelamente, o deputado Rui Falcão (PT-SP) solicitou ao STF o afastamento de Kassio Nunes Marques de suas funções no TSE. Falcão alega que a decisão de Nunes Marques de suspender o canal de Janones, sem provas concretas de desinformação em massa, configuraria falsidade ideológica eleitoral. A petição argumenta que o ministro agiu com parcialidade e motivação política para favorecer Flávio Bolsonaro, citando que um relatório técnico do TSE não encontrou os conteúdos de desinformação alegados pelo ministro.
A ação de Falcão foi enviada ao presidente do STF, ministro Edson Fachin. Por outro lado, Flávio Bolsonaro também acionou o STF para investigar Janones por injúria, listando diversas declarações em que o deputado o chamou de “bandido”, “ladrão” e “miliciano”. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, propôs uma conciliação entre as partes neste caso.
A defesa de Flávio Bolsonaro argumenta que a ofensiva contra Mendonça busca deslegitimar sua atuação no TSE, onde é vice-presidente e relator de ações contra irregularidades na propaganda eleitoral. Segundo os advogados, as acusações de corrupção e formação de “quadrilha” sem provas visam criar desconfiança em relação a qualquer decisão desfavorável ao candidato ou ao presidente, podendo afetar o resultado eleitoral.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados por reportagens jornalísticas.
