Ministério Público de São Paulo solicita à Justiça a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, em meio a processo que investiga suposta apropriação indébita de materiais esportivos. O pedido surge após a demissão de Marcelo Munhõess, diretor de tecnologia da informação e considerado testemunha-chave na acusação, que também alegou ter sofrido coação.
A decisão do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em pedir a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, foi motivada pela recente demissão de Marcelo Munhõess, ex-diretor de tecnologia da informação do clube. Segundo o promotor Cássio Roberto Conserino, o desligamento de Munhõess, ocorrido na véspera de uma audiência crucial marcada para 10 de novembro, levanta suspeitas de uma tentativa de intimidar testemunhas e interferir na produção de provas no processo que apura a apropriação indébita de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube.
A informação, divulgada pelo ge.com e confirmada pela Folha, detalha que Munhõess relatou ao MP ter seus acessos aos sistemas e e-mails corporativos bloqueados. Ele também teria sido informado pelo presidente do Corinthians, Osmar Stábile, que a demissão se deu por “questões políticas” e “pressões que recebia”. O promotor Conserino conecta o episódio ao apoio público de Stábile ao réu Armando Mendonça e às críticas feitas pelo presidente à atuação do Ministério Público, vendo nisso um possível sinal de interferência na instrução criminal e um risco de intimidação a outras testemunhas ligadas ao almoxarifado do clube.
Em nota divulgada por sua defesa, Armando Mendonça expressou “espanto” e “surpresa” com o pedido do MP, classificando-o como “manifestação notoriamente abusiva”. A defesa argumenta que a dispensa de Munhõess é um evento interno e político do clube, e que a acusação de interferência por parte de Mendonça ignora a prerrogativa da Presidência na nomeação e demissão de diretores. A defesa também sugere que o promotor Cássio Roberto Conserino demonstra “inequívoca proximidade e contaminação com as questões políticas do Clube”, e que o nome de Mendonça não é sequer mencionado no e-mail de descontentamento enviado por Munhõess ao promotor.
Medidas Cautelares e Nova Investigação
Além da prisão preventiva, o Ministério Público solicitou à Justiça a aplicação de outras medidas cautelares para garantir a proteção das testemunhas e a integridade da produção de provas. Paralelamente, o MP informou que iniciará uma nova investigação para apurar as circunstâncias da demissão de Marcelo Munhõess e determinar eventual participação de Armando Mendonça, Osmar Stábile ou terceiros em atos voltados a interferir no andamento do processo judicial.
A defesa de Armando Mendonça reiterou sua confiança na Justiça e anunciou que apresentará manifestação formal no processo, além de comunicar o ocorrido aos órgãos correcionais do Ministério Público. O caso ganha contornos ainda mais complexos diante da proximidade do julgamento de um Habeas Corpus que discute o trancamento da ação penal original, com a defesa apontando supostas ilegalidades praticadas na condução do processo.
