Alcolumbre adia votação da PEC da Segurança e entra em confronto com Marinho
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o senador Rogério Marinho (PL-RN) protagonizaram um embate acalorado no plenário nesta terça-feira (17). A discussão ocorreu após o adiamento da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, decisão tomada por Alcolumbre em meio a impasses, especialmente sobre a inclusão da redução da maioridade penal. O desentendimento expôs as divergências e a crescente rivalidade entre os dois parlamentares, com Marinho sendo um dos nomes cotados para disputar a presidência do Senado em 2027, contra o próprio Alcolumbre.
O confronto começou quando Marinho questionou o motivo da retirada de pauta da PEC. “Senhor presidente, desculpe, eu estava fora do plenário. A retirada de pauta se deveu ao pedido do governo, é isso?”, indagou o senador potiguar. Alcolumbre, no entanto, foi direto em sua resposta: “Não, a retirada de pauta se deveu à minha decisão da presidência do Senado Federal”. A troca de farpas se intensificou com Marinho insistindo sobre os fundamentos da decisão, enquanto Alcolumbre reiterava que a prerrogativa era de sua presidência. A tensão culminou com Marinho comentando que “é bom saber que a gente precisa mudar esse regimento”, ao que Alcolumbre concordou: “Exatamente, vamos mudar”. As informações foram reunidas a partir de declarações divulgadas pelo próprio Senado.
Rivalidades e acusações marcam sessão no Senado
A disputa entre Alcolumbre e Marinho não é um fato isolado. Anteriormente, durante a votação do perdão da dívida de microempreendedores individuais (MEIs), os dois já haviam demonstrado sinais de atrito. Na ocasião, Marinho, que coordenou a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, fez um pronunciamento crítico à gestão do PT, acusando o partido de oportunismo eleitoral e defendendo que a responsabilidade fiscal seria restaurada com a saída da sigla do poder. Ele chegou a citar dados sobre a votação no sistema carcerário para contrapor as visões políticas entre as bancadas do PT e do PL, afirmando que “73% dos presos votaram em Lula agora na eleição”.
As declarações de Marinho sobre o eleitorado carcerário provocaram reações imediatas no plenário, com senadores trocando acusações e menções a milícias. Um senador, em áudio captado, acusou o grupo de Marinho de “apoio a milicianos”. Para conter o avanço das interrupções e ofensas, Alcolumbre advertiu que cortaria o microfone de qualquer parlamentar que utilizasse o tempo de fala apenas para proferir ataques. Ele então orientou o plenário a focar nas pautas da ordem do dia, buscando restabelecer a normalidade dos trabalhos legislativos.