Desafio eleitoral: A virada de jogo nas urnas municipais
Para garantir a vitória em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL) em 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá pela frente um desafio que não conseguiu superar em 2022: reverter a votação em municípios onde saiu atrás no primeiro turno. Na eleição presidencial passada, apesar de eleito no segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL), Lula não conseguiu reverter o placar em nenhuma cidade, mesmo tendo vencido em uma quantidade significativamente maior de municípios na primeira etapa da votação.
Em 2022, Lula iniciou o segundo turno com uma vantagem de 5,23 pontos percentuais, tendo sido o mais votado em 3.376 municípios contra 2.191 de Bolsonaro. Contudo, na reta final da campanha, o então candidato do PL conquistou 253 cidades que haviam dado vitória ao petista. Lula, por sua vez, não conseguiu reverter nenhum desses resultados, embora tenha se sagrado vencedor com 50,90% dos votos válidos. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Onde Bolsonaro virou em 2022 e o cenário atual
A virada de Jair Bolsonaro sobre Lula em 2022 concentrou-se majoritariamente nas regiões Sudeste e Sul, com destaque para Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O ex-presidente conseguiu reverter a votação em 66 cidades mineiras e 53 gaúchas, além de 32 em São Paulo e 27 no Paraná e Goiás, entre outras. Este ano, o desempenho de Lula no primeiro turno contra Flávio Bolsonaro já indicou um agravamento da situação. No geral, o petista foi mais votado em 2.663 municípios, 713 a menos que em 2022. Já Flávio Bolsonaro superou o pai, vencendo em 2.906 cidades.
Em Minas Gerais, um estado crucial para as eleições, Lula obteve 43,33% dos votos no primeiro turno deste ano, enquanto Flávio Bolsonaro somou 48,24%. Em 2022, Lula havia vencido em 630 dos 853 municípios mineiros. No segundo turno daquele ano, perdeu 66 cidades, mas ainda manteve a maioria. Neste pleito, ele liderou em apenas 452 cidades mineiras contra 401 de Flávio Bolsonaro na primeira etapa.
A aposta do PT: atrair abstêmios e indecisos
Diante desse cenário, a estratégia do PT para o segundo turno das eleições presidenciais em 2026 se concentra em mobilizar os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Um total de 33,5 milhões de brasileiros se absteve de votar em 4 de outubro, representando 21,08% do eleitorado, um índice não visto desde 1998. Lula já sinalizou que essa será a principal frente de batalha nas próximas semanas, buscando reavivar o interesse desses eleitores pela política.
O presidente tem utilizado vídeos em redes sociais para dialogar diretamente com esse público, bem como com aqueles que se declaram indecisos ou que votaram em outros candidatos no primeiro turno. Cerca de 7,18% dos votos válidos foram direcionados a candidatos que não Lula nem Flávio Bolsonaro. Em suas mensagens, Lula apela para que esses eleitores compreendam que uma vitória de Flávio Bolsonaro representaria uma perda para eles, buscando convencê-los a depositar seu voto na urna.
