A ansiedade social é um desafio que afeta uma parcela significativa da população, muitas vezes impulsionada por hábitos que, embora pareçam inofensivos, podem intensificar o sofrimento. Para muitos, especialmente jovens adultos que iniciam a vida universitária, a transição para novos ambientes sociais pode desencadear ou agravar essa condição, impactando relacionamentos, desempenho acadêmico e bem-estar geral.
Mary, uma estudante universitária fictícia, compartilhou sua experiência com o transtorno de ansiedade social, uma condição que pode afetar até 12% das pessoas ao longo da vida. Sua ansiedade começou na adolescência, evoluindo para depressão e a necessidade de se afastar temporariamente dos estudos. Na universidade, ela evitava ativamente interações em grupo, sentindo que não seria aceita e, consequentemente, não fez amigos durante toda a graduação. Um estudo da University of Chichester, no Reino Unido, revelou que mais de 20% dos estudantes universitários enfrentam algum tipo de ansiedade social, associada a notas mais baixas, relacionamentos precários e isolamento.
A universidade frequentemente representa a primeira experiência de vida independente para muitos jovens, acompanhada pela expectativa de formar novas amizades. Mary, ao ingressar na Universidade de Exeter, tentou se integrar, mas o medo de não se encaixar a fez recuar. Ela descreve a ansiedade social como uma experiência dissociativa, com sensações físicas como rubor e formigamento, acompanhadas pela dificuldade em articular palavras e um profundo sentimento de vergonha e inadequação após as interações.
Sinais e gatilhos da ansiedade social
Neil Greening, presidente da Aliança para a Ansiedade Social do Reino Unido, explica que uma característica comum é a internalização das dificuldades, levando as pessoas a acreditarem que possuem falhas de personalidade, em vez de reconhecerem a condição e buscarem ajuda. Embora sentir timidez ou nervosismo em situações novas seja normal, a ansiedade social se manifesta quando ela impede a realização de ações e desejos. Greening aponta que a admiração pela extroversão em muitas sociedades pode levar indivíduos a esconderem sua ansiedade ou a adotarem “comportamentos de segurança”.
Alguns sinais de ansiedade social incluem o silêncio, respostas curtas, o uso constante do celular como fuga, a preferência por posições periféricas em grupos ou permanecer perto de uma pessoa conhecida, e a restrição a temas de conversa considerados “seguros”, como o trabalho. Greening também sugere que o aumento do uso de smartphones e o trabalho remoto podem estar contribuindo para a redução das interações sociais e o consequente aumento dos níveis de ansiedade.
Estratégias para mitigar a ansiedade social
Mary, hoje com 25 anos, conseguiu gerenciar melhor sua ansiedade social após buscar apoio terapêutico. A terapia cognitivo-comportamental (TCC), considerada padrão-ouro no tratamento, a ajudou a reformular pensamentos e modificar comportamentos. O psicólogo David Clark, da Universidade de Oxford, enfatiza que, além da terapia, medidas individuais podem ser eficazes.
Uma estratégia fundamental é desviar o foco da auto-observação constante durante situações sociais. Em vez de se preocupar com a aparência ou com o que os outros pensam, Clark recomenda concentrar-se no ambiente externo, na conversa e na outra pessoa. Ele também sugere testar os próprios medos através de “experimentos comportamentais”, como fazer uma pergunta em uma reunião ou compartilhar uma opinião em um grupo, para desafiar as suposições de resultados negativos.
Abandonar comportamentos de segurança, como ensaiar falas ou evitar contato visual, é outro ponto crucial. Clark também aconselha evitar a “ruminação” após eventos sociais, que é o processo de repassar mentalmente as interações e distorcer o que realmente aconteceu. Mary relata que essa prática de remoer constantemente foi algo que ela aprendeu a controlar com o tempo. O apoio de amigos e a decisão consciente de se forçar a participar de atividades, mesmo quando desconfortável, foram passos importantes em sua jornada de recuperação.
As informações foram reunidas a partir de relatos e estudos divulgados por especialistas em saúde mental e pesquisas acadêmicas no Reino Unido.
