Ex-presidente colombiano Gustavo Petro levanta suspeitas sobre influência de algoritmos americanos em pleitos futuros, incluindo o Brasil.
O ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro, aliado do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta quarta-feira (2) que “algoritmos” provenientes dos Estados Unidos e o que ele denominou de “tecnofascismo” poderiam influenciar as eleições de outubro no Brasil. Petro fez essas declarações sem apresentar evidências concretas sobre a suposta interferência.
As declarações foram dadas durante uma aula magna na Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), em sua primeira viagem ao exterior após deixar o cargo. Petro reiterou seu argumento de que houve interferência externa em sua derrota eleitoral na Colômbia em junho, quando seu candidato foi superado pelo direitista Abelardo de la Espriella por uma margem inferior a um ponto percentual. Segundo o ex-mandatário, um cenário semelhante poderia se repetir nas eleições brasileiras deste ano e nas mexicanas de 2027.
“É o sistema que se quer expandir, e não está certo. O México está em perigo, e o Brasil vem aí. Estes métodos têm legitimação na classe política que está dirigindo atualmente os Estados Unidos”, declarou Petro, associando a suposta interferência a decisões políticas do governo americano.
Acusações de interferência e bots
Durante a conferência na Unam, Petro detalhou sua alegação, mencionando um suposto sistema de dois milhões de bots que teriam atuado nas eleições colombianas. Ele afirmou que essa rede estaria “sob a mira” do Departamento de Estado dos EUA, sob a chefia de Marco Rubio, com o objetivo de apoiar a candidatura de Espriella. Petro chegou a citar uma declaração pública atribuída ao ex-presidente americano Donald Trump, onde ele supostamente teria dito que Espriella deveria lhe agradecer por ter se tornado presidente da Colômbia.
O ex-presidente colombiano estendeu suas acusações, também sem apresentar provas, alegando que o mesmo padrão de interferência teria ocorrido nas vitórias recentes de Keiko Fujimori no Peru e de José Antonio Kast no Chile, no ano passado. Até o momento, o Departamento de Estado dos Estados Unidos não se manifestou oficialmente sobre as alegações feitas por Gustavo Petro.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela agência EFE.
