Esclerose Múltipla: Doença Neurológica Afeta Crianças e Adolescentes com Novos Horizontes de Tratamento
Esclerose Múltipla: Doença Neurológica Afeta Crianças e Adolescentes com Novos Horizontes de Tratamento

Esclerose Múltipla: Doença Neurológica Afeta Crianças e Adolescentes com Novos Horizontes de Tratamento

Esclerose Múltipla também atinge jovens: esperança em diagnóstico e tratamento precoces A esclerose múltipla (EM), uma doença autoimune, inflamatória e crônica que afeta o sistema nervoso central, tem ganhado destaque não apenas por sua complexidade, mas também por sua incidência em faixas etárias mais jovens, incluindo crianças e adolescentes. Ao contrário do que o senso […]

Resumo

Esclerose Múltipla também atinge jovens: esperança em diagnóstico e tratamento precoces

A esclerose múltipla (EM), uma doença autoimune, inflamatória e crônica que afeta o sistema nervoso central, tem ganhado destaque não apenas por sua complexidade, mas também por sua incidência em faixas etárias mais jovens, incluindo crianças e adolescentes. Ao contrário do que o senso comum pode sugerir, associando a condição ao envelhecimento, especialistas alertam que a EM pode manifestar seus primeiros sintomas antes dos 18 anos em 3% a 5% dos casos. Essa desmistificação é crucial, pois o diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para garantir um maior controle da doença e evitar sequelas graves, promovendo uma vida mais plena aos pacientes.

A doença é caracterizada pela formação de cicatrizes (escleroses) no sistema nervoso, que prejudicam a transmissão de impulsos elétricos dos neurônios. Isso pode resultar em uma variedade de sintomas, como desequilíbrio, tontura, visão turva, dificuldades de raciocínio, entre outros. Manuela Fragomeni, coordenadora do Departamento Científico de Neuroimunologia da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI), ressalta que a percepção popular da esclerose como sinônimo de perda de memória em idosos contribui para o equívoco. No entanto, a EM atinge predominantemente mulheres jovens, entre 20 e 30 anos, e também é uma realidade no universo pediátrico.

As informações sobre a esclerose múltipla foram reunidas a partir de dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNI), o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) e a Fundação Integrada de Diagnóstico, Pesquisa, Educação e Inovação em Saúde (Fidi).

Avanços no Diagnóstico e Tratamento Pediátrico

Recentemente, os critérios diagnósticos para a EM foram atualizados, tornando-os aplicáveis também a jovens, conforme explica Renata Paolilo, responsável pelo serviço de neuroimunologia pediátrica do Instituto da Criança do HC-FMUSP. Apesar do estigma que ainda cerca a doença, fruto de um passado com menos recursos diagnósticos e terapêuticos, a medicina evoluiu significativamente. Protocolos mais eficazes e tratamentos menos agressivos permitem que os pacientes mantenham uma evolução controlada, minimizando o risco de incapacidades severas.

O caso de Fellipe Mello Negrisoli, de 12 anos, ilustra essa nova realidade. Diagnosticado com esclerose múltipla pediátrica há cerca de um ano, ele utiliza uma medicação inovadora que visa garantir a estabilidade de seu quadro. Apesar de ainda conviver com a incerteza de novos surtos, Fellipe mantém uma rotina ativa, frequentando a escola e praticando atividades. Sua mãe, Sandra Mello, relata a jornada desafiadora desde os primeiros sintomas, como um formigamento nos pés, até o diagnóstico definitivo, que envolveu múltiplas ressonâncias magnéticas e exames. A dificuldade em obter a medicação via convênio e a necessidade de uma liminar judicial evidenciam os obstáculos enfrentados pelas famílias, mas a chegada do tratamento representa uma esperança concreta para o controle da doença.

Entendendo a Esclerose Múltipla

A esclerose múltipla afeta cerca de 2,9 milhões de pessoas globalmente, com aproximadamente 40 mil casos no Brasil. Estudos indicam que a maioria dos diagnósticos ocorre na fase adulta (19 a 59 anos), sendo as mulheres o público mais prevalente, o que é atribuído a fatores genéticos, hormonais, imunológicos e ambientais. O termo “esclerose” refere-se ao enrijecimento ou cicatrização de tecidos, e no contexto da EM, o sistema imunológico ataca as fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal, impactando funções como equilíbrio, sensibilidade e visão.

Atualmente, existem medicações mais eficazes e com administração menos invasiva para crianças, que proporcionam maior estabilidade à doença. Isso se traduz em uma menor progressão para incapacidade, dependência e sequelas cognitivas ou motoras. Para o diagnóstico, as ressonâncias magnéticas são essenciais, mas a avaliação clínica detalhada é fundamental para interpretar as alterações e seu comportamento ao longo do tempo. Embora não haja cura, os tratamentos disponíveis são cruciais para controlar a atividade da doença, reduzir a frequência de surtos e retardar sua progressão.

A rapidez no diagnóstico após o surgimento dos sintomas é um fator determinante para o prognóstico do paciente. No ambiente escolar e familiar, o apoio psicológico, o estímulo à atividade física e uma nutrição adequada são importantes para garantir que a criança ou adolescente com EM possa ter uma vida normal e de qualidade, sem limitações significativas para suas atividades.

Tags:

Veja Também

SUS realiza transporte aéreo inédito de sangue raro para salvar paciente em Minas Gerais

SUS realiza transporte aéreo inédito de sangue raro para salvar paciente em Minas Gerais

STF adota tom moderado após avanço da direita e teme impeachment

STF adota tom moderado após avanço da direita e teme impeachment

TSE suspende site que oferecia criptomoedas em troca de apoio a Flávio Bolsonaro

TSE suspende site que oferecia criptomoedas em troca de apoio a Flávio Bolsonaro

Inclusão escolar: Crianças com osteogênese imperfeita podem participar de atividades com adaptações

Inclusão escolar: Crianças com osteogênese imperfeita podem participar de atividades com adaptações

Nunes Marques: Impeachment de ministros do STF é decisão política exclusiva do Senado

Nunes Marques: Impeachment de ministros do STF é decisão política exclusiva do Senado