Ex-aliado de Lula segue em posto estratégico apesar de citações em investigação da PF
Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como Berger, ex-secretário-executivo da Saúde, mantém sua influência no Palácio do Planalto, despachando diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto de 2026. Sua permanência em um cargo de confiança no Gabinete Pessoal da Presidência ocorre mesmo com seu nome surgindo em mensagens interceptadas pela Polícia Federal, que indicam seu papel como contato estratégico para viabilizar negócios bilionários no Ministério da Saúde.
As informações foram apuradas pela equipe de reportagem da Gazeta do Povo.
O papel de Berger nas investigações
Embora não seja formalmente um investigado, o nome de Berger aparece em diálogos e depoimentos analisados pela Polícia Federal no âmbito de uma investigação que apura um suposto esquema de tráfico de influência. Os registros sugerem que ele seria o intermediário para que Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, tivesse acesso facilitado ao Ministério da Saúde. O objetivo do grupo seria firmar um contrato de R$ 626 milhões para a aquisição de 1,2 milhão de frascos de canabidiol, sem a necessidade de licitação.
As mensagens analisadas pela PF indicam que a atuação de Berger era vista como crucial para o sucesso do negócio, que, contudo, não se concretizou na pasta.
Suspeita de tráfico de influência e o caso do canabidiol
A investigação busca determinar se Fábio Luíz Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger atuaram para abrir portas no governo. A estratégia envolveria explorar uma brecha na legislação que determina o fornecimento de canabidiol pelo SUS a pacientes com decisões judiciais favoráveis. Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, teria recebido R$ 1,5 milhão de Antunes. Em uma comunicação, o empresário se referiu ao destinatário final como “o filho do rapaz”, o que a PF interpreta como uma possível menção a Lulinha. A defesa de Luchsinger nega os repasses, alegando que os valores foram pagos por serviços de consultoria técnica.
Versões dos envolvidos e reuniões no Ministério da Saúde
Berger confirmou ter recebido Antonio Carlos Camilo Antunes em seu gabinete enquanto ocupava o cargo de secretário-executivo da Saúde. Ele justificou os encontros como parte de suas atribuições normais e negou qualquer orientação externa. Segundo ele, as negociações não avançaram pois o Ministério não demonstrou interesse nos produtos de cannabis. O Ministério da Saúde, por sua vez, declarou que não houve discussão formal para a oferta do medicamento no SUS sob a gestão atual. Antunes frequentou a pasta ao menos cinco vezes entre 2024 e 2025, algumas dessas visitas não constando em sua agenda oficial.
Situação jurídica e o futuro de Berger
Após deixar a Secretaria Executiva da Saúde em 2025, Berger assumiu o cargo no Gabinete Pessoal da Presidência, mantendo sua proximidade com o presidente Lula. O governo optou por mantê-lo na função enquanto a Polícia Federal prossegue com a análise do material coletado. A investigação está sob autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Recentemente, a Procuradoria-Geral da República solicitou o envio do caso para a primeira instância, argumentando que os envolvidos não possuem foro privilegiado. No entanto, há uma tendência para que o processo permaneça sob a supervisão direta do STF em Brasília.
