Primeira-dama se manifesta após declarações do candidato do Missão
A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, repudiou veementemente as declarações feitas pelo candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, durante o primeiro debate presidencial promovido pela TV Band em parceria com o Estadão. Renan Santos mencionou Janja em duas ocasiões para criticar a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no evento, utilizando termos considerados ofensivos e depreciativos.
Em nota oficial, Janja classificou as falas de Renan Santos como um ataque pessoal e depreciativo, argumentando que as declarações não se configuram como uma crítica política, mas sim como uma tentativa de “deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher”. Ela ressaltou que, como esposa de um candidato e não como candidata, não estava presente para se defender e não tinha relação com o tema em discussão.
As informações foram reunidas a partir de declarações divulgadas pela assessoria da primeira-dama e pelo candidato Renan Santos.
Acusações de misoginia e padrão de desrespeito
Janja destacou que as declarações de Renan Santos não são um caso isolado, lembrando de episódios anteriores em que o candidato esteve envolvido em falas de violência contra mulheres e até mesmo incitação a crimes. “É possível visualizar um padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres”, afirmou, enfatizando que o debate político deveria ser um espaço para propostas e não para “expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é”.
Candidato rebate e desafia o presidente
Em resposta à manifestação da primeira-dama, Renan Santos publicou um vídeo nas redes sociais alegando que, em uma democracia, “não deve ser errado apontar que pessoas assim são ruins, sejam elas homens ou mulheres”. Ele acusou Janja de usar a “mesma estratégia” de alegar misoginia para evitar críticas, citando como exemplo a repercussão de suas viagens internacionais. Santos desafiou Lula a defender a honra da esposa em um próximo debate, questionando se Janja seria uma “boa companhia”.
Cabe destacar que os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), assim como o presidente Lula, não participaram do debate transmitido pela TV Band.
Íntegra da nota de Janja
Diante do episódio ocorrido no debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes na noite deste domingo (23/08), manifesto repúdio às falas do candidato Renan Santos (Missão). Situações como essa não podem ser normalizadas.
O candidato atacou, de forma pessoal e depreciativa, uma mulher que não é candidata, não estava presente para se defender e não tinha qualquer relação com o tema em discussão. Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de “pena” está longe de ser uma crítica política.
É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher, como ferramenta misógina para atacar um adversário político. Episódios como esse não são um caso isolado.
Renan Santos já esteve envolvido em declarações de violência contra as mulheres e incitou dezenas de homens a cometerem um estupro coletivo. É possível visualizar um padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres.
Nós, mulheres, sabemos o quanto precisamos lutar para sermos ouvidas sem sermos interrompidas, desqualificadas ou atacadas. Por isso, faz-se tão necessário repreender imediatamente atos como esses, que depreciam nossas existências.
Debate político é, ou deveria ser, um lugar para apresentar propostas, confrontar ideias e discutir projetos para o nosso país. Não é lugar para expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é.
