Presidente da República sugere criação de programa de renegociação de dívidas para clubes de futebol, nos moldes do Desenrola.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou a ideia de criar um programa semelhante ao “Desenrola Brasil”, voltado para a renegociação de dívidas de pessoas físicas, com o objetivo de auxiliar clubes de futebol endividados. A proposta, apresentada à Caixa Econômica Federal, visa oferecer uma alternativa aos atuais patrocínios de casas de apostas e outras fontes de financiamento que o presidente considera questionáveis. Lula atribuiu a situação financeira precária de muitos clubes à “má administração” e à prática de pagar salários incompatíveis com a realidade econômica do país.
A declaração foi feita durante entrevista à Record TV, onde o presidente expressou preocupação com a situação financeira dos times brasileiros. “Estes dias eu falei para a Caixa Econômica: ‘vamos fazer um Desenrola para os clubes de futebol, estão todos quebrados. É má administração. Você está pagando salário que não é condizente com a realidade deste país. Sabe? Vamos ser francos. Então você tem bet financiando, você tem um monte de gente, até site de pornografia financiando time de futebol, como é que a gente vai permitir isso?'”, questionou Lula.
A situação do Corinthians, clube de coração do presidente, também foi mencionada. Lula lamentou a dificuldade do time paulista em contratar bons jogadores, afirmando que “não está podendo comprar jogador bom, eles não chutam pro gol”. A entrevista ocorreu em um momento de baixa audiência televisiva, competindo diretamente com o primeiro debate eleitoral entre candidatos à presidência transmitido pela Band TV.
O endividamento do Corinthians e o papel da Caixa
O Sport Club Corinthians Paulista possui um passivo considerável com a Caixa Econômica Federal. O banco financiou a construção da Neo Química Arena, estádio localizado em Itaquera, em São Paulo, com um empréstimo inicial de R$ 400 milhões. No entanto, o valor total da dívida, incluindo juros, atingiu R$ 642 milhões. Originalmente, o financiamento foi destinado à Odebrecht, empreiteira responsável pela obra, com um prazo de 15 anos para quitação. Contudo, após a Operação Lava Jato e os problemas financeiros da empreiteira, a dívida foi transferida para o Corinthians.
O acordo de renegociação atual prevê amortizações com juros anuais de 2% acima da inflação, com vencimento estipulado para 2041. Paralelamente, estão em andamento negociações para que os direitos de nome (naming rights) da arena sejam cedidos à Caixa como forma de abater parte da dívida. O financiamento do estádio contou com recursos do BNDES, através do programa ProCopa Arenas, criado para apoiar a construção e reforma de estádios para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O custo da Neo Química Arena, que foi inaugurada para o evento, mais que dobrou, alcançando R$ 1 bilhão.
