Saúde mental para quem mais precisa: o SUS agora oferece teleatendimento psicológico a mulheres em situação de violência.
O Ministério da Saúde deu um passo importante na rede de apoio a mulheres nesta segunda-feira (24), com o lançamento de um serviço inédito de teleatendimento psicológico no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, apresentada em um evento em Brasília que contou com a presença da primeira-dama, Janja Lula da Silva, visa oferecer suporte especializado para vítimas de violência de gênero.
Nesta fase inicial, o serviço terá capacidade para 100 mil atendimentos mensais, um número que o ministério utilizará para avaliar a demanda e planejar futuras expansões. O acesso já é possível por meio do aplicativo Meu SUS Digital, facilitando o contato para quem necessita de ajuda.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
Ampliando o alcance do cuidado em saúde mental
A nova ferramenta de teleatendimento não se limitará apenas às vítimas de violência de gênero. O serviço também contemplará mulheres que dedicam seus cuidados a familiares com deficiência, incluindo aqueles com transtornos de desenvolvimento e doenças raras. A apresentação oficial do recurso foi feita pela secretária de Atenção Primária à Saúde do ministério, Ana Luiza Caldas, que destacou uma etapa piloto já realizada com sucesso no Recife e no Rio de Janeiro em março deste ano.
A presença de Janja Lula da Silva no evento reforça a agenda do governo federal voltada para as mulheres, especialmente após o lançamento do Pacto Contra o Feminicídio em fevereiro, um acordo intersetorial que busca intensificar as ações de combate a esses crimes. O evento contou ainda com a participação da modelo Luiza Brunet, que compartilhou sua experiência como vítima de violência doméstica, e de representantes dos Ministérios da Saúde e das Mulheres.
Combate à violência como pauta política e eleitoral
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, abordou a relevância do combate às violências contra a mulher no cenário político e eleitoral. Segundo ele, o tema deve se tornar central nas discussões políticas nas próximas semanas, inclusive nas disputas eleitorais para os diversos cargos em disputa. “Eu torço para que o povo brasileiro eleja pessoas que defendem as mulheres”, declarou Padilha, ressaltando a importância de eleger representantes comprometidos com a causa.
O atendimento em saúde mental já vinha sendo oferecido pelo SUS para questões relacionadas a jogos e apostas. A ampliação do escopo para incluir vítimas de violência representa um avanço significativo na abrangência dos serviços de saúde mental oferecidos à população.
Recentemente, a primeira-dama Janja também esteve presente na sanção de uma lei que endurece as penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes cometidos em ambientes digitais com uso de inteligência artificial. Na ocasião, ela clamou pela derrubada da plataforma Discord, após o trágico caso de suicídio de uma adolescente. Essa mobilização levou a Advocacia-Geral da União (AGU) a notificar a plataforma, resultando na suspensão de lives e chats de vídeo para cumprimento das normas de proteção a menores.
