Presidente brasileiro estaria recorrendo a Donald Trump como um “aliado improvável” em meio a embate com o Secretário de Estado americano, Marco Rubio. A análise é do jornal britânico Financial Times (FT), que aponta para uma estratégia de Lula em buscar um canal direto com o ex-presidente dos EUA.
A reportagem do FT surge após uma conversa entre Lula e Trump na última sexta-feira (21). Segundo o jornal, o diálogo abordou temas sensíveis como as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e a designação de facções criminosas brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas por Washington. O jornal destaca que as tensões recentes entre Lula e Rubio têm sido marcadas por fortes críticas mútuas, com Rubio acusando o líder brasileiro de priorizar o próprio ego e Lula rotulando o Secretário de Estado como um “latino-americano frustrado” que “odeia o Brasil”.
O Financial Times relembra que, antes mesmo do telefonema com Trump, Lula já demonstrava insatisfação com a postura de Rubio, afirmando que o Secretário de Estado “faz coisas diferentes do que conversamos com Trump”. Essa declaração sugere uma percepção por parte do governo brasileiro de que as ações americanas, sob a gestão de Rubio, divergem dos entendimentos prévios com a administração Trump.
Analistas em Washington, citados pelo FT, levantam a hipótese de que Lula poderia estar, em parte, fomentando um conflito com Rubio como uma tática para capitalizar em um sentimento nacionalista contra os Estados Unidos, visando fortalecer sua posição diante do rival eleitoral Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de outubro. No entanto, a perspectiva do governo brasileiro, conforme interpretada pelo jornal britânico, é que a administração de Trump tornou o Departamento de Estado mais ideológico, com uma ênfase crescente no apoio a aliados de direita na América Latina. O FT alerta que, até a eleição, pode haver “muita turbulência” nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
