Um ex-assessor de Anthony Fauci, figura central na resposta dos Estados Unidos à pandemia de Covid-19, declarou-se culpado nesta terça-feira (18) de conspiração para burlar leis de acesso a registros públicos e ocultar documentos governamentais. David Morens, de 78 anos, admitiu em audiência no tribunal federal de Greenbelt, Maryland, ter agido para frustrar pedidos de informações relacionadas ao financiamento de pesquisas sobre a Covid-19 e à própria pandemia.
Morens, que ocupava um cargo de alto escalão no Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) sob o comando de Fauci, pode enfrentar até cinco anos de prisão quando sua sentença for proferida em 12 de novembro. Seu advogado confirmou que Morens assumiu a responsabilidade por suas ações.
A declaração de culpa ocorre em um momento de intensas investigações sobre as origens da Covid-19. Embora o FBI tenha apontado em 2023 um vazamento de laboratório em Wuhan, na China, como causa provável – alegação prontamente refutada por Pequim –, outras agências de inteligência dos EUA e o Conselho Nacional de Inteligência divergem, acreditando em uma origem zoonótica natural. A CIA, por sua vez, considera um vazamento de laboratório possível, mas com baixo grau de confiança.
Esquema para Ocultar Informações
De acordo com os promotores, o caso de Morens está ligado à decisão dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) de cancelar um subsídio para pesquisas sobre coronavírus em morcegos, após alegações de que a Covid-19 teria surgido em um laboratório chinês que recebia parte desses fundos. Morens teria se comprometido a tentar restabelecer o financiamento e a combater a narrativa de vazamento de laboratório.
Temendo que suas comunicações fossem requisitadas por meio de pedidos sob a Lei de Liberdade de Informação (Foia), Morens e outros indivíduos teriam concordado em se comunicar utilizando um e-mail pessoal, em vez das contas governamentais oficiais. Essa estratégia, segundo a acusação, configurou o esquema para ocultar documentos relevantes.
A declaração de culpa de Morens surge em meio a um contexto de escrutínio sobre o manejo da pandemia e a resposta científica. Anthony Fauci, que liderou o NIAID por 38 anos e se tornou uma figura pública proeminente durante a crise sanitária, já compareceu perante uma comissão do Senado, onde invocou seu direito de não se autoincriminar em meio a acusações de um senador adversário.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters e outras agências de notícias internacionais.
