Governo Lula remove Mauro Benevides Filho da vice-liderança na Câmara dos Deputados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu exonerar o deputado federal Mauro Benevides Filho (União-CE) do cargo de vice-líder do governo na Câmara dos Deputados. A medida foi oficializada na edição desta quinta-feira (20) do Diário Oficial da União (DOU) e comunicada ao presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).
A retirada de Benevides Filho do posto está diretamente ligada à sua atuação na campanha eleitoral do Ceará. O parlamentar coordena a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao governo do estado, em uma chapa que conta com o apoio do PL. Esta aliança tem gerado descontentamento em setores do próprio PL, especialmente da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Benevides Filho havia deixado o PDT em abril para se filiar ao União Brasil, com o objetivo de apoiar Ciro Gomes. Ele chegou a ser retirado da vice-liderança na época, mas foi readmitido enquanto o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) assumia a liderança do governo. A nova exoneração sinaliza uma inflexão na relação com o parlamentar.
Disputa no Ceará repercute nacionalmente e afeta alianças do PL
A eleição para o governo do Ceará ganhou contornos de disputa nacional devido às alianças formadas. O apoio do PL a Ciro Gomes, um crítico do ex-presidente Jair Bolsonaro, causou insatisfação em Michelle Bolsonaro. Em um vídeo divulgado em abril, ela relatou ter se sentido humilhada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após expressar seu descontentamento com a aliança cearense. Na sequência, Michelle deixou a presidência do PL Mulher.
A tensão parece ter diminuído recentemente, com Michelle e Flávio Bolsonaro gravando um vídeo de campanha juntos, após a decisão da ex-primeira-dama de concorrer ao Senado pelo Distrito Federal. No entanto, a movimentação no Ceará demonstra as complexidades das articulações políticas em âmbito estadual e suas ramificações nacionais.
Cenário eleitoral no Ceará e o enfraquecimento do PSDB
No Ceará, o PT busca a reeleição de Elmano de Freitas com uma ampla coalizão de 13 partidos, incluindo legendas como PSB, PSOL, Republicanos, PSD, MDB e Podemos. Por outro lado, Ciro Gomes conta com o apoio de sete partidos, liderados pela federação União Progressista (União Brasil e PP), além de Democracia Cristã, Avante e PL. O PSDB, partido pelo qual Ciro Gomes é filiado, integra a federação com o Cidadania.
A aposta em Ciro Gomes ocorre em um momento de encolhimento eleitoral do PSDB. O partido não governa nenhum estado brasileiro e viu o número de prefeituras sob sua gestão cair de 522 em 2020 para 276 em 2024, evidenciando um cenário de desafio para a sigla.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Diário Oficial da União e reportagens de veículos de comunicação.
