Casa Branca busca reaproximação com Pyongyang para discutir programa nuclear
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado seus assessores para que um novo encontro com o ditador norte-coreano Kim Jong-Un seja agendado ainda em 2023. A iniciativa visa reativar os esforços diplomáticos para convencer Pyongyang a abandonar seu programa de armas nucleares, um dos pilares da política externa de Trump em seu primeiro mandato. A possibilidade de um encontro presencial foi discutida em caráter privado e pode ocorrer durante a próxima viagem de Trump à Ásia, prevista para novembro, possivelmente em margens do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, a ser realizado em Shenzhen, na China.
A busca por uma nova cúpula com Kim Jong-Un ocorre em um momento em que Trump busca uma conquista diplomática de destaque, especialmente diante da dificuldade em alcançar avanços na resolução de conflitos como o que envolve o Irã. No entanto, analistas expressam ceticismo quanto a um possível progresso significativo, considerando que o arsenal nuclear da Coreia do Norte se fortaleceu consideravelmente desde as três reuniões anteriores entre os líderes. A Coreia do Sul, por sua vez, manifesta apoio ao diálogo entre Washington e Pyongyang, visando a estabilidade na península coreana.
As informações foram divulgadas pelo jornal Wall Street Journal, citando autoridades americanas. Em declarações anteriores, Trump já havia demonstrado interesse em um novo encontro, inclusive tentando organizar uma reunião durante uma viagem asiática no ano passado. Na ocasião, Pyongyang demonstrou abertura, mas a complexidade logística impediu a concretização do evento em curto prazo.
Exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul são reduzidos
Paralelamente aos esforços diplomáticos, os Estados Unidos e a Coreia do Sul anunciaram a antecipação do fim das manobras militares conjuntas, que foram encurtadas em seis dias, encerrando em 21 de agosto. A decisão de reduzir a escala e o período dos exercícios anuais Escudo da Liberdade Ulchi atende a um pedido de Donald Trump, que justificou a medida pela sua relação com o líder norte-coreano e por considerar os exercícios caros e potencialmente hostis. Um porta-voz do Pentágono assegurou que os ajustes não comprometerão os objetivos essenciais de prontidão e treinamento das forças americanas.
A imprensa estatal norte-coreana reagiu aos exercícios, classificando-os como uma ameaça de invasão e uma violação à segurança regional, sem, contudo, mencionar diretamente a decisão de Trump de reduzir as manobras. A agência KCNA declarou que Pyongyang exercerá seu direito à autodefesa para neutralizar ameaças militares de forças hostis.
A redução dos exercícios militares ocorre após Trump ter criticado publicamente as manobras, afirmando que elas enviam um sinal inadequado à Coreia do Norte, país que, segundo ele, tem se mostrado respeitoso desde seu retorno ao poder em 2025. Trump também criticou a Coreia do Sul por não apoiar a política americana em relação ao Irã.
As informações sobre a pressão por um novo encontro com Kim Jong Un e a redução dos exercícios militares foram reunidas a partir de reportagens do Wall Street Journal, Reuters e AFP.
