A corrida pela Presidência do Senado para o biênio 2027-2029 já começou, com senadores experientes e emergentes traçando estratégias e buscando alianças, mesmo antes da definição da composição da Casa após as eleições de 2026. Nomes como Davi Alcolumbre (União-AP), Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS), Renan Calheiros (MDB-AL) e Arthur Lira (PP-AL) despontam como os principais articuladores nesta fase inicial.
Davi Alcolumbre, atual presidente do Congresso, detém vantagens consideráveis, incluindo o controle da máquina administrativa, uma vasta rede de relações parlamentares e conexões com outros Poderes. Sua reeleição em 2022 e o mandato como presidente a partir de fevereiro de 2025 lhe conferem uma posição privilegiada. Embora a legislação permita sua candidatura à reeleição, o cenário de 2027 promete ser mais desafiador do que em 2025, quando obteve 73 votos. Uma possível expansão conservadora pode exigir a construção de acordos com a esquerda e o Centrão, além de concessões aos novos senadores.
Recentemente, Alcolumbre demonstrou capacidade de gerir a agenda legislativa e confrontar o Poder Executivo, com a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) como um marco. Contudo, a relação com o governo Lula tem sido recomposta, com encontros recentes que resultaram no destravamento de pautas prioritárias para o Executivo. Apesar dessa reaproximação, o senador enfrenta o risco de desgaste devido ao escândalo do Banco Master, que envolve investigações da Polícia Federal e depoimentos que podem incriminá-lo.
Do lado da direita, Rogério Marinho surge como uma alternativa forte. Eleito em 2022 e com mandato garantido até 2031, o líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro tem se dedicado à estratégia nacional do PL. Sua candidatura à Presidência do Senado em 2023, embora derrotada, o posiciona para um cenário mais favorável em 2027, especialmente se senadores aliados ao PL e à centro-direita forem eleitos. Uma vitória de Flávio Bolsonaro em 2026 fortaleceria suas negociações.
Outros nomes na disputa e o peso institucional da eleição
A senadora Tereza Cristina também se coloca como candidata à Presidência do Senado. Fora das urnas em 2024, ela foi uma das primeiras a manifestar interesse na disputa, mesmo tendo sido cotada para vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Com trânsito no agronegócio e associada ao governo Bolsonaro, sua eventual eleição teria um valor simbólico por ser a primeira mulher a chefiar a Casa.
Renan Calheiros, senador desde 1995 e com quatro mandatos na Presidência do Senado, busca retornar ao protagonismo, apostando em sua experiência, relações com a esquerda e influência histórica no MDB. Já Arthur Lira, atual presidente da Câmara, precisaria ser eleito senador para disputar a presidência da Casa com Calheiros, seu rival em Alagoas, e traria consigo sua rede de articulação política.
A eleição para a Mesa Diretora do Senado em 2027 não definirá apenas cargos, mas também a agenda legislativa, a relação com o Executivo e o equilíbrio entre os Poderes. A direita, em especial, vê a eleição de senadores como um plebiscito sobre a atuação do STF, buscando conter a Corte e promover mudanças legislativas. O recente anúncio de Flávio Bolsonaro sobre seus candidatos ao Senado, com o compromisso de defender a Constituição e a possibilidade de destituição de magistrados, evidencia essa estratégia.
As informações foram reunidas a partir de reportagens da Folha de S.Paulo e de notícias veiculadas por outros veículos de comunicação.
