Polarização marca primeiro debate entre Tarcísio e Haddad em São Paulo
A polarização política nacional dominou o primeiro debate para as eleições de 2026 em São Paulo, realizado pela Band. O embate colocou frente a frente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), representante do legado do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), principal expoente do petismo no estado. A segurança pública, tema de grande preocupação para os eleitores, foi o ponto de partida do confronto.
Tarcísio de Freitas iniciou o debate relembrando as operações que resultaram no fim da Cracolândia e questionou Haddad sobre a eficácia do programa “De Braços Abertos”, implementado em sua gestão como prefeito. Haddad, por sua vez, defendeu o caráter social de seu programa e criticou o governador por não compartilhar informações com o Ministério Público sobre as operações contra o tráfico e facções criminosas, ressaltando a importância da colaboração para o sucesso das ações.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Band.
Segurança pública e acusações mútuas marcam o debate
O tema do combate ao crime organizado retornou com força. Tarcísio mencionou a operação na favela do Moinho e acusou Haddad e o governo federal de se associarem a uma suposta traficante. Haddad rebateu veementemente, negando qualquer proximidade e questionando a inação de Tarcísio caso soubesse da atividade criminosa.
A discussão então migrou para a esfera federal, com Haddad acusando o governo Bolsonaro de “calote” em relação ao ICMS de combustíveis, gerando uma dívida bilionária com o estado de São Paulo. Tarcísio, em resposta, pediu que Haddad se afastasse de discussões sobre Bolsonaro, lembrando da derrota do petista em 2018. A provocação levou Haddad a questionar se Tarcísio tinha vergonha do ex-presidente, ao que o governador respondeu com gratidão pela oportunidade de ter sido ministro.
Disputa pela “paternidade” de operações e críticas à gestão econômica
Ambos os pré-candidatos buscaram reivindicar os méritos de operações de combate ao crime, como a “Carbono Oculto”, que investigou lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Haddad atribuiu parte do sucesso à Receita Federal, ligada ao Ministério da Fazenda, enquanto Tarcísio enfatizou o papel da Polícia Civil paulista e do Ministério Público estadual nas investigações.
Na esfera econômica, Haddad criticou a nomeação de Roberto Campos Neto para a presidência do Banco Central durante o governo Bolsonaro, atribuindo a ele escândalos de corrupção e o uso de fintechs pelo crime organizado. Tarcísio, por sua vez, alertou para os riscos de um alto gasto público e um arcabouço fiscal “frouxo”, projetando um cenário de recessão similar ao do governo Dilma Rousseff.
O debate sobre o “tarifaço” dos Estados Unidos também surgiu, com Haddad criticando a postura de Tarcísio de apoio a Donald Trump, enquanto o governador paulista detalhou medidas estaduais para mitigar os efeitos da taxação para empresas exportadoras.
Privatizações em pauta: Tarcísio defende e Haddad critica
A política de privatizações do governo Tarcísio de Freitas foi um dos pontos centrais do debate. Haddad criticou a venda de ativos como o serviço funerário, parques e a Sabesp, alegando que a companhia de saneamento foi vendida abaixo do valor de mercado. Tarcísio defendeu as privatizações como um meio de atrair investimentos e alcançar metas de universalização do saneamento, citando avanços em Guarulhos e a necessidade de investimentos em transporte sobre trilhos.
O debate expôs as profundas divergências ideológicas e políticas entre os dois pré-candidatos, com clara divisão de espectros e estratégias de campanha alinhadas aos seus respectivos mentores políticos, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
