Estágio de foguete da SpaceX colide com a Lua sem observações diretas
Um estágio de um foguete Falcon 9 da SpaceX atingiu a superfície lunar na madrugada desta quarta-feira (5), cumprindo uma trajetória que o levaria a colidir com o satélite natural da Terra. A expectativa de astrônomos era que o impacto, ocorrido a uma velocidade estimada de 8.600 quilômetros por hora, gerasse um clarão luminoso e uma nuvem de poeira e detritos visíveis da Terra através de telescópios. No entanto, até o momento, não há relatos de observações visuais diretas que confirmem tais efeitos.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo The New York Times.
Trajetória e Previsão do Impacto
O foguete em questão foi lançado em janeiro do ano passado, transportando dois módulos lunares: o Blue Ghost, da Firefly Aerospace, e o Resilience, da japonesa Ispace. Enquanto o Blue Ghost pousou com sucesso no lado próximo da Lua, o Resilience se chocou contra a superfície. O segundo estágio do Falcon 9, após cumprir sua missão de impulsionar as espaçonaves, continuou em órbita terrestre. Astrônomos amadores o rastrearam, e Bill Gray, desenvolvedor do software astronômico Projeto Pluto, foi quem primeiro identificou a probabilidade de colisão com a Lua. Seus cálculos, refinados ao longo do tempo, indicaram um ponto de impacto provável perto da cratera Einstein, no hemisfério norte lunar.
Expectativas e Realidade do Impacto
A falta de um espetáculo visual no momento previsto não surpreendeu totalmente os cientistas. Simulações indicavam que a forma de impacto (vertical ou angular) e a natureza do terreno lunar atingido poderiam influenciar a visibilidade do evento. Um impacto vertical, que geraria mais detritos, era considerado menos provável do que uma queda em ângulo. Mesmo em um cenário ideal, os efeitos previstos estariam no limite da capacidade de observação terrestre, dependendo de fatores como a composição do solo lunar atingido.
Observações e Análises em Andamento
Observações realizadas por telescópios como o Discovery, do Observatório Lowell no Arizona, e o Very Large Telescope (VLT) no Chile, podem conter dados cruciais. Astrônomos buscam por sinais específicos na luz emitida ou absorvida pela eventual nuvem de detritos. Carl Schmidt, da Universidade de Boston, utilizando o VLT, relatou ter medido sódio e lítio em uma pluma de dezenas de quilômetros que persistiu por alguns minutos após o impacto, afirmando estar 100% confiante de que as leituras são fruto da colisão. Contudo, a confirmação visual direta da cratera formada ainda depende de análises de imagens de alta resolução.
Próximos Passos na Investigação
A espaçonave sul-coreana Danuri sobrevoou a área estimada do impacto cerca de oito horas após o evento, mas a identificação de qualquer nova feição na paisagem lunar pode levar semanas. Comparar imagens atuais com registros anteriores da mesma área é um processo demorado. O Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO) da NASA também passará pela região em breve, fornecendo imagens adicionais que poderão ajudar a localizar e confirmar a cratera gerada pelo impacto. Cientistas, no entanto, estão confiantes de que o estágio do foguete atingiu a Lua, baseando-se nas leis da física que regem o movimento dos objetos no Sistema Solar.
