Irã busca evitar escalada de conflito no Oriente Médio, mas defenderá seu território
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou nesta terça-feira (4) que o país irá defender seu território, mas que não tem a intenção de expandir o conflito no Oriente Médio. A declaração surge em meio a divergências entre Teerã e Washington sobre o andamento das negociações entre os dois países. Segundo a mídia estatal iraniana, Pezeshkian enfatizou que a República Islâmica não busca uma ampliação da disputa com os Estados Unidos.
Paralelamente, o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, reiterou que negociações estão em curso e indicou progresso nas conversas relacionadas ao Estreito de Hormuz. “Há progresso nas negociações, mas ainda não chegamos a uma conclusão. Esperamos que isso aconteça muito em breve”, afirmou Rubio a jornalistas.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela agência estatal iraniana, e declarações de Marco Rubio, chefe da diplomacia de Washington.
Tensões e Negociações sobre o Estreito de Hormuz
As declarações ocorrem após o presidente Donald Trump ter emitido ameaças ao Irã, afirmando que daria ao país “todas as últimas chances antes da decapitação” e acusando a liderança iraniana de contradição por buscar reuniões e, ao mesmo tempo, negar publicamente o diálogo com Washington. Trump insistiu que as negociações “estão ocorrendo” e que esta seria “a última chance” para um acordo.
O Irã tem rejeitado publicamente conversas com Washington desde o fracasso de um memorando de entendimento em junho, que visava encerrar o conflito, e a subsequente retomada das ofensivas no mês passado. Trump também declarou que o bloqueio ao Estreito de Hormuz seria mantido até um acordo ou a “rendição total” do Irã. Anteriormente, ele havia mencionado a suspensão de novos ataques ao país, aguardando uma nova rodada de negociações.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, expressou otimismo em entrevista à CNBC, sugerindo a possibilidade de um acordo com o Irã para reabrir Hormuz até esta quarta-feira (5). “Estamos em negociações com os iranianos, e acredito que há chances de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo para abrir o estreito e avançar rumo a uma posição mais normalizada neste conflito”, disse Bessent, indicando que haveria “liberdade de circulação” para os navios.
As informações foram reunidas a partir de declarações de Donald Trump, Scott Bessent e reportagens da mídia estatal iraniana.
Proposta Iraniana para o Controle do Estreito de Hormuz
Em paralelo às declarações americanas, o Irã informou estar em conversas com Omã sobre a gestão do Estreito de Hormuz. Um alto funcionário iraniano, ouvido pela Reuters, detalhou que Teerã negocia um plano temporário para reabrir a via marítima, mantendo o tráfego de navios sob supervisão iraniana. A proposta em discussão prevê que o Irã controlaria as embarcações que entram no estreito e teria acesso a informações sobre os navios que deixam a região, com poder de intervenção se considerado necessário. As autorizações de saída seriam emitidas por Omã, após notificação às autoridades iranianas.
Segundo o funcionário, é improvável que o Irã recue dessa posição, embora já tenha flexibilizado sua exigência inicial de controle bidirecional. O regime, no entanto, rejeitou uma proposta anterior de Omã que previa a divisão igualitária das rotas de navegação, alegando que não atendia às preocupações de segurança em um cenário de instabilidade regional.
O controle sobre o Estreito de Hormuz tornou-se um ponto central nas negociações para o fim da guerra. Os Estados Unidos argumentam que o memorando de junho previa a reabertura da via, enquanto o Irã sustenta que o texto preserva sua autoridade sobre o tráfego marítimo na área. Antes do conflito, a navegação pelo estreito respondia por cerca de 20% do comércio mundial de petróleo.
As informações foram reunidas a partir de declarações de um funcionário iraniano à Reuters e dados sobre o Estreito de Hormuz.
Incidentes Marítimos Agravam o Cenário
O cenário de tensões é agravado por incidentes marítimos recentes. A agência britânica de segurança marítima UKMTO relatou que um navio de carga foi atingido por um projétil de origem desconhecida próximo ao estreito, na costa de Omã. A tripulação abandonou a embarcação e um marinheiro permanece desaparecido.
Um ataque similar atingiu uma embarcação de bandeira indiana perto do Iêmen, que virou e afundou no Mar Vermelho. Os 14 tripulantes foram resgatados. O Ministério dos Transportes do Iêmen atribuiu o ataque aos houthis, aliados do Irã, que não se pronunciaram sobre o incidente.
As informações foram reunidas a partir de relatórios da UKMTO e do Ministério dos Transportes do Iêmen.
