A escolha pela vasectomia antes dos 30 anos tem ganhado força entre homens que buscam controle sobre a paternidade, impulsionada por experiências pessoais e um desejo de priorizar outras áreas da vida. Dois relatos, de Alex West e Sam Knight, ilustram essa tendência crescente, que se reflete em dados recentes de procedimentos realizados em hospitais e clínicas.
Alex West, hoje com 33 anos, decidiu fazer a vasectomia no final de seus 20 anos após vivenciar um parto difícil com sua esposa e desenvolver depressão pós-parto. A experiência o abalou a ponto de repensar o plano inicial do casal de ter quatro filhos. “Eu não tinha a capacidade de processar aquilo”, relata Alex sobre o ataque de pânico que sofreu. Sem querer sobrecarregar a esposa com a responsabilidade contraceptiva, ele optou pela vasectomia, um procedimento que consiste no corte e selagem dos canais deferentes, responsáveis por levar os espermatozoides até a uretra.
Dados do NHS England mostram um aumento de 16% nas vasectomias realizadas entre 2024 e 2025 em comparação com o ano anterior, totalizando cerca de 26.385 procedimentos. Embora homens entre 35 e 39 anos sejam a faixa etária com maior número de vasectomias, houve um aumento na procura por homens mais jovens. Aproximadamente 950 homens com menos de 30 anos realizaram o procedimento na Inglaterra no mesmo período. Alex, que teve seu procedimento em maio de 2024, descreve a experiência como rápida e indolor, destacando que a decisão foi cuidadosamente ponderada com a esposa.
Foco na carreira e alívio de traumas
Sam Knight, americano de 25 anos, sabia desde cedo que não desejava ter filhos. A decisão se intensificou após uma namorada engravidar e optar pelo aborto, um evento que o fez refletir sobre as responsabilidades da paternidade. “Eu não queria que aquilo acontecesse de novo”, conta Sam. Ele buscou uma clínica de urologia em Nova York, onde foi alertado sobre a natureza permanente do procedimento e os rigorosos critérios para reversão. Apesar da pouca idade, Sam estava convicto de sua escolha, priorizando sua carreira como designer de som para videogames. “Eu simplesmente não tenho espaço mental, tempo ou mesmo desejo para isso”, afirma.
A vasectomia, embora segura e eficaz, exige que os homens considerem cuidadosamente a decisão. Sarah Salkeld, diretora médica da MSI Reproductive Choices, enfatiza a importância de um acompanhamento para garantir que os pacientes tenham todas as informações. A reversão da vasectomia não é rotineiramente oferecida pelo NHS, devido a critérios rigorosos. Para Sam, que pagou cerca de US$ 1.200 pelo procedimento nos EUA, a experiência foi positiva apesar de uma rara crise de dor intensa uma semana após a cirurgia. “No geral, vale o dinheiro e vale a dor”, conclui.
A decisão de Alex e Sam reflete uma mudança de perspectiva sobre paternidade e controle reprodutivo. Ambos encontraram na vasectomia uma solução que lhes permite focar em suas vidas pessoais e profissionais sem o peso da paternidade, celebrando a escolha como um ato de autoconhecimento e responsabilidade. As informações foram reunidas a partir de relatos para a BBC News Brasil.
