Gunther von Hagens, o controverso 'Dr. Morte' das exposições de corpos plastificados, morre aos 81 anos
Gunther von Hagens, o controverso ‘Dr. Morte’ das exposições de corpos plastificados, morre aos 81 anos

Gunther von Hagens, o controverso ‘Dr. Morte’ das exposições de corpos plastificados, morre aos 81 anos

Morre Gunther von Hagens, criador das polêmicas exposições ‘Body Worlds’ Gunther von Hagens, o cientista alemão conhecido mundialmente por suas exposições de corpos humanos e animais preservados através da técnica de plastinação, faleceu na última sexta-feira (24) em um hospital em Heidelberg, Alemanha. Ele tinha 81 anos e a causa da morte foi uma hemorragia […]

Resumo

Morre Gunther von Hagens, criador das polêmicas exposições ‘Body Worlds’

Gunther von Hagens, o cientista alemão conhecido mundialmente por suas exposições de corpos humanos e animais preservados através da técnica de plastinação, faleceu na última sexta-feira (24) em um hospital em Heidelberg, Alemanha. Ele tinha 81 anos e a causa da morte foi uma hemorragia cerebral, segundo informou sua assistente pessoal, Rebecca Brewer. Von Hagens lutava contra a doença de Parkinson desde 2008.

Desde a estreia de sua primeira exposição, “Body Worlds”, em Tóquio, em 1995, as mostras do cientista atraíram mais de 50 milhões de visitantes globalmente, tornando-se um fenômeno cultural e científico. Além das turnês internacionais, instalações permanentes foram estabelecidas na Alemanha, Holanda e Estados Unidos, democratizando o acesso à anatomia humana para o público em geral.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Associated Press e pelo The New York Times.

A revolução da plastinação e o apelo público

A técnica da plastinação, desenvolvida por Von Hagens no final dos anos 1970, consistia em substituir os fluidos corporais por polímeros plásticos resistentes. O processo permitia a preservação detalhada de tecidos, músculos e órgãos, exibindo-os em posições realistas. Cada espécime demandava centenas de horas de trabalho em instalações mantidas pelo cientista na Alemanha e na China. A habilidade de Von Hagens em processar corpos, incluindo animais de grande porte como cavalos, gerou figuras icônicas e chocantes.

Inicialmente, os corpos eram obtidos de faculdades de medicina. Com o aumento de sua fama, Von Hagens passou a receber um número crescente de doações de pessoas que desejavam que seus corpos fossem preservados para fins educativos e públicos após a morte. O próprio cientista defendia que suas exposições promoviam uma compreensão mais profunda do corpo humano e da ciência médica.

Controvérsias e críticas à obra de Von Hagens

Apesar do sucesso e do fascínio que suas exposições despertavam, Gunther von Hagens enfrentou intensas controvérsias ao longo de sua carreira. A exibição de cadáveres sem pele, evocando imagens de filmes de terror, gerou desconforto e reações extremas, como um incidente em Londres onde um visitante atacou um corpo com um martelo.

Líderes religiosos, especialmente na Alemanha, expressaram forte oposição, remetendo a memórias sombrias de experimentos humanos e profanação de corpos durante o regime nazista. Críticos chegaram a comparar Von Hagens a Josef Mengele, o infame médico de Auschwitz, e o apelidaram de “Dr. Morte”. O cientista também enfrentou acusações de ter aceitado corpos de prisioneiros executados da China, embora não houvesse provas concretas de seu conhecimento sobre a origem dos espécimes. Ele posteriormente proibiu o uso de corpos chineses e implementou protocolos rigorosos para doações.

Apesar de defender a democratização do conhecimento anatômico, algumas críticas apontavam para um apelo excessivo ao choque em detrimento de informações científicas mais aprofundadas, especialmente considerando que “Body Worlds” era um empreendimento com fins lucrativos.

Uma vida marcada pela fuga e pela ciência

Gunther Gerhard Liebchen nasceu em 10 de janeiro de 1945, em uma área da Polônia ocupada pela Alemanha. Fugindo do avanço soviético com seus pais, ele se estabeleceu na Alemanha Oriental. Uma grave hemorragia na infância, causada por hemofilia não diagnosticada, despertou seu interesse pela medicina. Após trabalhar como enfermeiro, estudou medicina na Universidade de Jena.

Sua juventude foi marcada por ativismo contra o regime comunista da Alemanha Oriental, o que levou à sua prisão em 1969 por tentar fugir para a Áustria. No ano seguinte, foi libertado e retornou à Alemanha Ocidental, onde concluiu seus estudos médicos e doutorado. Em 1975, casou-se com Cornelia von Hagens, adotando seu sobrenome, e em 1992, casou-se com a médica Angelina Whalley, sua colaboradora criativa no “Body Worlds”. Ele deixa três filhos e seis netos.

Von Hagens sempre defendeu sua obra, afirmando que não via as exposições como um “salão da morte”, mas sim como uma forma de construir pontes para o próprio corpo, reforçando a compreensão da humanidade compartilhada. Ele faleceu aos 81 anos, deixando um legado complexo e inegavelmente impactante na forma como a sociedade interage com a ciência e a mortalidade.

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