Governo Trump expande fiscalização de imigração para aeroportos, prendendo indivíduos com vistos vencidos
O governo Donald Trump implementou uma nova estratégia de fiscalização migratória, intensificando prisões em aeroportos de todo o país. A ação visa estrangeiros com vistos americanos vencidos, incluindo cônjuges de cidadãos americanos, mesmo que estes estejam com processos de regularização em andamento. Essa tática, documentada pelo The New York Times com base em documentos oficiais e entrevistas com advogados de imigração, abre um vasto contingente de indivíduos agora passíveis de deportação.
Agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), muitas vezes à paisana, têm abordado alvos em balcões de check-in e portões de embarque. As operações já foram registradas em pelo menos 15 aeroportos nas últimas semanas, com algumas prisões ocorrendo discretamente e outras sob o olhar de passageiros indignados que registraram os encontros em vídeo. As informações foram reunidas a partir de reportagens do The New York Times e declarações de porta-vozes do Departamento de Segurança Interna (DHS).
Expansão de acordo com a TSA
As recentes detenções parecem ser uma ampliação de um acordo prévio entre a Administração de Segurança de Transportes (TSA) e o ICE. Inicialmente, o foco estava em prender indivíduos com ordens de deportação, com o ICE utilizando informações fornecidas pelas companhias aéreas à TSA. Agora, a análise de documentos do DHS e entrevistas revelam que o programa se estende a pessoas com vistos vencidos, um grupo significativamente maior.
Anualmente, centenas de milhares de imigrantes e visitantes ultrapassam o prazo de seus vistos. Muitos desses indivíduos se encontram em uma zona legal cinzenta, aguardando a extensão de seus vistos ou a aprovação de seus green cards, e frequentemente possuem autorização de trabalho. Anteriormente, esses casos não eram prioridade para deportação, a menos que houvesse envolvimento criminal, e as detenções enquanto aguardavam a regularização eram raras. Contudo, a administração Trump classifica qualquer permanência além do prazo do visto como ilegal e tem empreendido uma campanha de deportação em massa.
Aumento da pressão e alvos diversos
Um porta-voz do DHS afirmou que o governo está trabalhando para impedir que estrangeiros em situação irregular no país possam viajar, a menos que seja para deixar os Estados Unidos. Embora a agência não tenha confirmado oficialmente a expansão do programa, o Departamento de Segurança Interna, que supervisiona o ICE, tem recebido pressão da Casa Branca para aumentar o número de detenções em todo o país. O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, prometeu “aumentar a pressão nas ruas”, estabelecendo uma meta de 2.000 prisões de imigrantes por dia, o dobro do ritmo do início do ano.
Advogados de imigração relatam uma ampla gama de alvos, incluindo engenheiros aguardando a extensão de vistos de trabalho, recém-casados com cidadãos americanos e ex-au pairs. Casos notórios incluem o de Chantal Morales Rojas, uma equatoriana de 27 anos detida ao embarcar em um voo em Denver, e de uma mulher ugandense em cadeira de rodas com anemia falciforme e pedido de asilo em andamento. Em outro incidente, um cidadão australiano que excedeu o prazo de seu visto foi detido em Las Vegas após ser liberado inicialmente para “desescalar a situação”.
Repercussão e alertas para viajantes
Advogados de imigração experientes, como Charles Kuck, que atua há 38 anos na área, expressam surpresa com a intensidade e o alcance das novas medidas. Ele relata ter visto muitos casos semelhantes ao de um engenheiro indiano detido enquanto aguardava a extensão de sua autorização de trabalho. Diante desse cenário, advogados como Shannon Shepherd, vice-presidente da seção de Chicago da Associação Americana de Advogados de Imigração, têm alterado suas orientações aos clientes.
“Antes, eu dizia: ‘desde que você tenha um documento de identidade, pode viajar domesticamente’. Agora estou mudando e dizendo: ‘Se você está em processo de mudança de status, evite qualquer viagem’”, alertou Shepherd. A colaboração entre TSA e ICE, que começou em maio de 2025, permitindo o compartilhamento de informações para fins de fiscalização, ampliou significativamente a rede de indivíduos que podem ser detidos, visando não apenas criminosos, mas pessoas com solicitações legítimas pendentes.
No caso de Morales Rojas, que entrou legalmente nos EUA em janeiro de 2023 com um visto J-1 e teve seu visto expirado em janeiro de 2025, ela havia apresentado um pedido para permanecer no país e possuía autorização de trabalho. Apesar de seu processo legal estar em andamento e ser conduzido com conhecimento das autoridades, o DHS a classificou como tendo “violado as leis de nossa nação”. Sua liberação mediante fiança de US$ 3.000 foi concedida por um juiz, mas sua advogada entrou com uma ação contestando a decisão de prisão e detenção sem um mandado adequado.
