Ministério da Saúde anuncia compra de PrEP injetável de longa duração contra HIV
Ministério da Saúde anuncia compra de PrEP injetável de longa duração contra HIV

Ministério da Saúde anuncia compra de PrEP injetável de longa duração contra HIV

Avanço na prevenção do HIV: Brasil negocia compra de PrEP injetável de longa duração O Ministério da Saúde anunciou um acordo para a compra do cabotegravir, um antirretroviral injetável para profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV. A decisão foi comunicada pelo ministro Alexandre Padilha durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. […]

Resumo

Avanço na prevenção do HIV: Brasil negocia compra de PrEP injetável de longa duração

O Ministério da Saúde anunciou um acordo para a compra do cabotegravir, um antirretroviral injetável para profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV. A decisão foi comunicada pelo ministro Alexandre Padilha durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. O acordo será apresentado à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) na próxima semana, com a expectativa de que o medicamento esteja disponível para pacientes brasileiros ainda em 2024. A notícia chega em um momento de celebração pela maior redução na taxa de mortalidade por Aids na história do Brasil, com menos de 10 mil óbitos registrados em 2024.

O cabotegravir, desenvolvido pela ViiV Healthcare, representa uma nova opção de prevenção, com aplicação a cada dois meses, contrastando com a necessidade de ingestão diária dos comprimidos de PrEP. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o medicamento em 2023, e ele já está disponível no mercado privado, com preço de tabela de R$ 4.000 por dose. O ministro Padilha não confirmou o valor especulado de US$ 400 por dose, mas indicou que o governo busca um teto de negociação entre 10 a 12 vezes o valor pago por países como Indonésia e Tailândia, que seria de US$ 40.

O sucesso na redução da mortalidade por Aids no Brasil foi atribuído pelo ministro à expansão de 150% na oferta de medicamentos de PrEP pelo SUS e ao aumento de 100% nos testes rápidos nos últimos três anos. Essa política permitiu a identificação mais rápida de novas infecções e o início do tratamento, com 22% dos diagnósticos resultando em início de terapia no mesmo dia e mais da metade iniciando em até 30 dias. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Saúde.

Obstáculos e novas tecnologias na luta contra a Aids

Apesar dos avanços, Padilha destacou três principais desafios para a resposta brasileira à epidemia: a discriminação e o estigma contra pessoas vivendo com HIV, o negacionismo científico e a desinformação em saúde, e o acesso a novas tecnologias. “Inovação sem acesso não deveria ser chamada de inovação. Inovação sem acesso é injustiça”, afirmou o ministro, anunciando também um novo programa de financiamento para agilizar o acesso a exames de imagem e procedimentos complexos para pessoas vivendo com HIV.

O ministro também abordou o impasse na negociação do lenacapavir, outra PrEP injetável de aplicação semestral da Gilead, aprovada pela Anvisa em janeiro deste ano. Segundo Padilha, a farmacêutica não considerou viável oferecer o produto ao SUS pelo preço proposto pelo Brasil, mesmo este sendo dez vezes superior ao oferecido a países de baixa e média renda. “Não vamos drenar o recurso que é fruto dos impostos dos cidadãos brasileiros [em] interesse de lucro de uma empresa apenas”, declarou, reiterando a disposição para negociar, mas sem aceitar valores considerados fora da realidade orçamentária do SUS.

Parcerias e negociações para acesso a medicamentos

Em paralelo, a Fiocruz assinará um acordo com a farmacêutica MSD para acompanhar o desenvolvimento de uma nova PrEP oral de uso prolongado, o MK-8527, que já está em estudos clínicos no Brasil. A expectativa é que essa colaboração evolua para uma parceria de produção e inclusão do medicamento no SUS. No entanto, o Brasil foi excluído de um acordo de licenciamento voluntário para produção de genéricos do MK-8527 pela MSD, mesmo participando dos estudos clínicos. Padilha reconheceu a situação, mas afirmou que isso não impede negociações diretas com a farmacêutica, mantendo a recusa a “preços estratosféricos”.

O ministro também ressaltou o papel do Brasil na articulação regional pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), considerando o acesso de países vizinhos às mesmas tecnologias. A declaração foi feita ao lado de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, e Jarbas Barbosa, diretor da Opas, durante a abertura da AIDS 2026 no Rio de Janeiro. Ghebreyesus alertou que, apesar da queda global nas infecções e mortes por HIV, cortes de financiamento internacional ameaçam esses avanços. Barbosa destacou que a região das Américas necessita de quase 1 milhão de pessoas a mais em PrEP para reduzir consistentemente novas infecções.

A Gilead, fabricante do lenacapavir, emitiu comunicado informando que está avaliando oportunidades para apoiar o acesso sustentável por meio do desenvolvimento de capacidade regional de fabricação na América Latina, incluindo o Brasil, sujeito a avaliações de viabilidade. A empresa reitera seu foco em ampliar o acesso ao lenacapavir para países de baixa renda e alta carga da doença.

Tags:

Veja Também

Iniciativas da sociedade civil impulsionam avanços na saúde pública brasileira

Iniciativas da sociedade civil impulsionam avanços na saúde pública brasileira

Peste bubônica: a doença medieval que ainda representa um risco global

Peste bubônica: a doença medieval que ainda representa um risco global

Doença de Creutzfeldt-Jakob: O que a ciência oferece hoje contra a doença rara e incurável

Doença de Creutzfeldt-Jakob: O que a ciência oferece hoje contra a doença rara e incurável

Anvisa aprova segundo genérico de semaglutida em uma semana e amplia opções para emagrecimento

Anvisa aprova segundo genérico de semaglutida em uma semana e amplia opções para emagrecimento

Lito Sousa apela por tratamento experimental contra doença rara e agressiva

Lito Sousa apela por tratamento experimental contra doença rara e agressiva