Candidato à Presidência critica membros da Corte e sugere impeachment como solução
Romeu Zema, candidato à Presidência pelo Novo, reiterou nesta segunda-feira (27) sua posição de que é necessário remover “três frutas podres” do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao portal Metrópoles, Zema defendeu a renovação do Senado como um caminho para viabilizar processos de impeachment contra ministros da Corte, sem, contudo, citar nominalmente os magistrados em questão. Ele alegou que sua crítica se dirige a ministros cujas esposas teriam recebido vultosos contratos, um teria realizado transações financeiras significativas e outro teria obtido apoio para congressos jurídicos, sugerindo um enriquecimento ilícito facilitado por um “banqueiro bandido”.
As declarações de Zema fazem referência a situações envolvendo os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Em relação a Moraes, o candidato mencionou um contrato de R$ 129 milhões firmado pelo escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci, com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O escritório negou irregularidades. Quanto a Toffoli, Zema aludiu a uma transação de R$ 35 milhões ligada ao resort Tayayá, onde o ministro teria tido participação societária em uma empresa, e menções encontradas no celular do banqueiro Vorcaro. Toffoli confirmou a sociedade em empresa, mas negou relação financeira com Vorcaro. Por fim, Zema citou o financiamento de eventos paralelos ao Fórum Jurídico de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza”, e despesas de autoridades em Londres pelo Banco Master, eventos organizados ou relacionados a Gilmar Mendes.
Repercussões e Ação Judicial
Zema questionou se o Brasil continuará sendo uma “republiqueta” ou “república de bananas”, onde alguns enriquecem enquanto a população enfrenta dificuldades financeiras, descrevendo o cenário como “o mais endividado da história”. A crítica do candidato à Presidência já gerou repercussão. O ministro Gilmar Mendes, em resposta a declarações anteriores de Zema, ajuizou uma ação por suposta calúnia após o ex-governador ter divulgado vídeos com fantoches representando Mendes e Toffoli em conversas sobre a CPI do Crime Organizado.
As informações sobre os contratos e transações financeiras foram apuradas por veículos de imprensa como O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. O escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, declarou que o contrato com o Banco Master foi realizado dentro da legalidade. Dias Toffoli, por sua vez, confirmou ser sócio dos irmãos na empresa que teve participação no resort, mas ressaltou não ter qualquer relação financeira com o banqueiro Daniel Vorcaro. As declarações de Zema e as respostas dos ministros e seus representantes indicam um embate político e jurídico em curso, com o candidato buscando capitalizar em cima de alegações de irregularidades no STF.
