Ministro rebate críticas de Milei e afirma que Brasil está à frente da Argentina
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reagiu nesta segunda-feira (27) às críticas feitas pelo presidente argentino, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes. Durigan classificou Milei como um “palhaço” e argumentou que o Brasil apresenta um desempenho econômico superior ao da Argentina em diversos indicadores.
As declarações de Milei ocorreram durante a convenção do PL que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à presidência. Durigan, em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, contrapôs as críticas apontando que o risco-país, a dívida pública e a inflação argentina são significativamente mais altos que os brasileiros. “O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil e falou de Brasil, quando o risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, afirmou o ministro.
Durigan também buscou acalmar as preocupações sobre a economia nacional, desencorajando a adesão a previsões pessimistas. “Não dá pra entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar apocalipse. Não estou dizendo que está tudo resolvido. Juros [altos] que afetam todo mundo, agricultores, família empresas. Eu tenho que pagar juros altos pra rolar a dívida, me incomoda muito”, ponderou o ministro, reconhecendo os desafios existentes.
Javier Milei, em discurso no evento do PL, havia chamado o ministro Alexandre de Moraes de “lixo careca” e o presidente Lula de “presidiário”, associando a candidatura de Flávio Bolsonaro a um movimento de avanço de governos de direita na América Latina. As falas geraram uma resposta imediata da diplomacia brasileira, com o chamamento dos embaixadores para esclarecimentos, um gesto considerado um duro recado nas relações bilaterais.
Forte relação comercial e histórico de apoio mútuo
Apesar das divergências políticas recentes, a Argentina se mantém como o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos. Em 2023, as exportações brasileiras para o país vizinho somaram US$ 18,1 bilhões, um aumento de 31,4% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pelos setores automotivo e industrial. O bom desempenho das vendas para a Argentina ajudou a compensar a desaceleração econômica e tensões tarifárias com outros parceiros comerciais.
Historicamente, o Brasil tem sido um suporte para a Argentina em momentos de crise econômica. O país vizinho já recorreu ao Brasil para evitar calotes internacionais, colapsos logísticos e interrupções no comércio bilateral. Um exemplo recente ocorreu em 2024, quando o governo argentino buscou a Petrobras para suprir o desabastecimento de gás natural, devido a problemas na carta de crédito argentina. A interferência dos ministérios brasileiros liberou o carregamento de gás liquefeito, evitando um colapso no país. Em 2023, o Brasil também atuou politicamente nos bastidores do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) para viabilizar um empréstimo ponte de US$ 1 bilhão, crucial para a Argentina quitar parcelas com o FMI e evitar um calote técnico.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Rádio Jornal e reportagens sobre as relações comerciais Brasil-Argentina.
