Mercado imobiliário paraguaio atrai brasileiros em busca de investimento e moradia
O Paraguai tem se destacado como um destino cada vez mais procurado por brasileiros, não apenas como local de moradia, mas também como um polo de investimento imobiliário. A economia em crescimento e uma política tributária atrativa para estrangeiros impulsionam essa tendência, que tem impactado significativamente o mercado imobiliário local, especialmente o segmento de alto padrão.
Os números reforçam esse movimento: nos primeiros três meses de 2026, foram registrados 9.125 pedidos de residência de brasileiros no país vizinho, representando 64% do total de estrangeiros, superando argentinos e alemães, que aparecem em seguida. Embora a busca não seja nova, ela se intensificou nos últimos anos, gerando uma demanda sem precedentes por imóveis residenciais. Diante desse cenário, incorporadoras e imobiliárias paraguaias têm focado em estratégias de comunicação e desenvolvimento de produtos voltados especificamente para o público brasileiro.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Direção Nacional de Migrações do Paraguai e pela Raíces Real Estate.
Preferências e empreendimentos sob medida
Brasileiros que buscam imóveis no Paraguai demonstram preferência por condomínios fechados e bairros planejados, em moldes semelhantes a empreendimentos conhecidos no Brasil, além de apartamentos de alto padrão na capital, Assunção. Um exemplo é o empreendimento Aquaterra, lançado em 2023 pela Raíces Real Estate na cidade de Luque, próximo ao aeroporto de Assunção. Com 437 lotes distribuídos em 47 hectares e uma completa estrutura de lazer, esportes, comércio e escritórios, o projeto foi concebido para atender às demandas específicas desse público.
Ernesto Figueredo, presidente da Raíces Real Estate, observa a mudança no perfil dos compradores: “Nas vendas dos anos anteriores, 90% era de paraguaios. E no ano passado, 50% das vendas foram para os brasileiros. A participação dos brasileiros está cada vez maior. Hoje, dos estrangeiros, 70% são do Brasil”, afirma.
Crescimento econômico e atratividade de preços
O setor imobiliário paraguaio tem apresentado um crescimento robusto, com uma média anual de 8% desde 2015, segundo dados da Câmara Paraguaia de Desenvolvedores Imobiliários (Capadei). Em 2024, o setor registrou um crescimento mais expressivo, atingindo 15%, com projeções otimistas para os anos seguintes. Esse dinamismo reflete-se na economia local, onde a construção civil responde por cerca de 12% do PIB, podendo aumentar ainda mais com a projeção de até 80 mil concessões de residência neste ano, lideradas pelos brasileiros.
Os preços do metro quadrado no Paraguai são um grande atrativo, especialmente quando comparados a regiões nobres de capitais brasileiras. Em bairros de alto padrão em Assunção, como Villa Morra, Recoleta e Carmelitas, o valor varia entre US$ 1,5 mil e US$ 2,5 mil. Em Encarnación, cidade turística às margens do rio Paraná, o metro quadrado custa em torno de US$ 800, e em Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu, os valores ficam entre US$ 900 e US$ 1,4 mil.
Financiamento direto e expansão de imobiliárias brasileiras
Um diferencial importante no mercado imobiliário paraguaio é a possibilidade de financiamento direto com as incorporadoras, sem a necessidade de intermediação bancária. Essa modalidade facilita a negociação e torna as ofertas mais competitivas para investidores brasileiros. “Podemos financiar diretamente com o investidor brasileiro. É uma estratégia para ser mais competitivo”, explica Figueredo.
Percebendo a oportunidade, imobiliárias brasileiras também têm expandido suas operações para o Paraguai. A Apolar Franquias, por exemplo, investiu mais de R$ 1,5 milhão em 2024 para internacionalizar sua marca, iniciando pelo Paraguai com a abertura de cinco unidades nas principais cidades do país. O diretor da Apolar Paraguai, João Ricardo Geron, destaca o crescimento urbano e a estabilidade econômica como fatores determinantes para os investidores, além do potencial de retorno financeiro, que pode ultrapassar 20% até a entrega de projetos lançados na planta.
