Javier Milei desembarca no Brasil em sábado (25) para evento do PL, mas não tem encontros previstos com Renan Santos, que se vê como sósia ideológico do argentino.
Apesar de Renan Santos, pré-candidato à presidência pelo partido Missão, se apresentar como o “Milei brasileiro”, o presidente da Argentina, Javier Milei, não tem em sua agenda oficial nenhum encontro com o líder do MBL durante sua visita ao Brasil no próximo sábado (25). Milei virá ao país para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, que ocorrerá na convenção nacional do partido em São Paulo.
A comparação entre Santos e Milei se baseia em semelhanças superficiais, como o discurso de corte radical de gastos, a defesa de reformas concentradas no início de um eventual mandato e uma retórica de confronto com a classe política. No entanto, para pessoas próximas a Milei, a associação não se sustenta em profundidade ideológica.
A vinda de Milei ao Brasil e seu apoio a Flávio Bolsonaro estão articulados por meio do Foro Alberdiano Internacional. Esta é a estrutura criada para disseminar o partido La Libertad Avanza, fundado por Milei e que o alçou à presidência argentina, pela América Latina. Sebastião Pareja, presidente do partido em Buenos Aires e figura próxima a Milei, é o presidente de honra do Foro. No Brasil, o embaixador-geral do Foro é Rodrigo Andolfato, fundador do Instituto Liberal da Alta Noroeste (Ilan) e um dos criadores da Confederação 9 de Julho. Segundo Andolfato, entre os candidatos à presidência, Flávio Bolsonaro é quem mais se aproxima da política liberal-minarquista defendida por Milei.
Divergências ideológicas entre Milei e o MBL
A distinção reside na própria filosofia de Milei, que se autodefine como liberal-minarquista. Essa corrente defende um Estado mínimo, atuando apenas em seu custo marginal, com a maior parte das funções delegadas ao livre mercado, sem concessões ou modulações no discurso. O minarquismo é visto como uma vertente mais factível do anarcocapitalismo, que prega o fim total do governo.
É justamente nesse ponto que, segundo Andolfato, o MBL e, por extensão, o partido Missão, divergem dos princípios de Milei. Andolfato, que acompanha o movimento desde sua fundação, relata que alguns dos fundadores do Ilan, ligados ao MBL, deixaram o grupo por não verem semelhanças ideológicas, apenas narrativas. Um exemplo citado é a postura do MBL durante a pandemia, que, segundo Andolfato, teria adotado posições favoráveis a medidas estatais, como a obrigatoriedade da vacina, incompatíveis com a liberdade individual defendida pelos minarquistas.
Propostas distintas para o Brasil
Como pré-candidato, Renan Santos propõe um corte radical de gastos, inspirado em Milei, mas o combina com um nacionalismo tecnológico, defendendo a Petrobras como ativo estratégico, a reindustrialização com foco em semicondutores e terras raras, e a aproximação com EUA, União Europeia e Japão para inserir o Brasil em cadeias globais de alta tecnologia.
Flávio Bolsonaro, por outro lado, adota uma abordagem mais pragmática. Sua equipe econômica em formação propõe a substituição das metas fiscais atuais por um mecanismo atrelado à trajetória da dívida pública, a ampliação de privatizações e concessões, e a desregulamentação de setores como mineração e infraestrutura, sem, contudo, romper com programas sociais.
O Foro Alberdiano considera que nem Renan Santos nem Flávio Bolsonaro representam fielmente os ideais de Milei, mas avalia que Bolsonaro está mais alinhado aos seus princípios. “Estou apoiando o Flávio porque é o que há de melhor hoje”, afirma Andolfato.
Em resposta à Gazeta do Povo, Renan Santos minimizou a opinião do grupo e questionou as alianças e ações de Flávio Bolsonaro. “Eu estou pouco me lixando pra opinião deles. Gostaria de saber se eles endossam a relação de Flávio com Vorcaro, os crimes que ele cometia em seu gabinete, a agenda feminista em seu mandato e sua relação com o comando vermelho via TH Joias. Será que eles tem uma opinião sobre isso?”, indagou.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Gazeta do Povo.
