Inverno: A estação que transforma sua casa em um refúgio para ácaros e mofo
Inverno: A estação que transforma sua casa em um refúgio para ácaros e mofo

Inverno: A estação que transforma sua casa em um refúgio para ácaros e mofo

O paradoxo do conforto no inverno À medida que as temperaturas caem e o frio se intensifica, a busca por aconchego leva muitas pessoas a manterem suas casas hermeticamente fechadas. No entanto, essa medida de proteção contra o clima externo pode, paradoxalmente, transformar os ambientes internos em verdadeiros focos de proliferação de ácaros, mofo e […]

Resumo

O paradoxo do conforto no inverno

À medida que as temperaturas caem e o frio se intensifica, a busca por aconchego leva muitas pessoas a manterem suas casas hermeticamente fechadas. No entanto, essa medida de proteção contra o clima externo pode, paradoxalmente, transformar os ambientes internos em verdadeiros focos de proliferação de ácaros, mofo e outros poluentes domésticos. A falta de circulação de ar, aliada à umidade gerada pelas atividades cotidianas, cria um cenário ideal para o desenvolvimento desses alérgenos, que podem desencadear ou agravar sintomas respiratórios e alérgicos.

Embora espirros, tosse e crises alérgicas sejam frequentemente associados ao ar frio e seco do inverno, especialistas alertam que o principal vilão pode ser a própria falta de ventilação. “Os ácaros da poeira, pelos de animais, fungos e poluentes ficam mais presentes no ar e nas superfícies. Além disso, a umidade produzida pelas atividades diárias, como banho, cozinha e até pela respiração das pessoas, tende a ficar acumulada, favorecendo a proliferação de fungos e mofo”, explica Paula Bley, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) – Regional PR.

Os sinais de que o ambiente interno está prejudicando a saúde podem incluir espirros frequentes ao acordar, tosse que piora dentro de casa ou durante a noite, e um aumento na frequência de crises de rinite ou asma, com melhora notável ao sair do domicílio ou viajar. A informação foi coletada a partir de recomendações médicas e científicas sobre qualidade do ar interior.

Combatendo os invasores invisíveis

Para mitigar a presença desses alérgenos, a ventilação é a primeira linha de defesa. A alergista Paula Bley recomenda abrir as janelas diariamente por pelo menos 20 minutos, preferencialmente nos períodos mais quentes e ensolarados do dia, e em lados opostos da casa para garantir a ventilação cruzada. Complementarmente, o uso de exaustores em banheiros e cozinhas, a limpeza regular dos filtros de aquecedores e aparelhos de ar-condicionado, e a aspiração frequente de colchões, estofados e tapetes são medidas cruciais.

A umidade, grande aliada de fungos e mofos, pode se acumular em ambientes pouco ventilados. Além dos danos estéticos, o mofo libera esporos que irritam as vias aéreas e agravam condições como asma, rinite e sinusite, afetando especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias crônicas. O uso de umidificadores, embora possa parecer benéfico para o ar seco do inverno, deve ser cauteloso. “Eles são recomendados apenas quando a umidade relativa do ar atinge uma taxa de 40%. Também é importante reforçar que sua higiene deve ser mantida diariamente, pois a água parada pode auxiliar no crescimento de fungos e bactérias”, adverte André Albuquerque, coordenador do setor de Pneumologia da Rede D’Or São Paulo.

Quanto aos purificadores de ar, Albuquerque sugere modelos com sistemas de filtragem de alta eficiência, capazes de remover pólen, pelos de animais e partículas finas como fungos e fragmentos de ácaros. Contudo, ele ressalta que esses aparelhos não eliminam ácaros vivos presentes em colchões, travesseiros ou estofados.

Dicas práticas para um lar mais saudável

A redução da presença de ácaros e mofo exige uma combinação de estratégias de higiene. Pessoas com rinite e asma devem redobrar os cuidados com a limpeza de roupas de cama e tecidos em geral. Travesseiros, dependendo do material e uso, devem ser substituídos a cada um ou dois anos, e o uso de capas antiácaro, lavadas semanalmente, é eficaz na criação de uma barreira protetora.

Lençóis e fronhas devem ser trocados, no mínimo, uma vez por semana, ou com maior frequência em caso de crises alérgicas. Durante o inverno, edredons e peças de algodão são preferíveis a cobertores felpudos, que tendem a acumular mais poeira, ácaros e pelos de animais. Tapetes e cortinas também exigem limpeza frequente por serem reservatórios de alérgenos.

Roupas armazenadas por longos períodos podem acumular poeira, ácaros, fungos e mofo, fatores que desencadeiam doenças respiratórias e dermatológicas. “O ideal é sempre lavar antes do uso”, lembra o pneumologista. Donos de animais de estimação devem intensificar a aspiração para conter os pelos, enquanto entusiastas de plantas devem evitar o excesso de vasos em ambientes pequenos e mal ventilados para não aumentar a umidade interna.

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