A eleição de 2024 traz uma novidade significativa: cada estado elegerá dois senadores, alterando o tabuleiro político nacional e elevando o peso das convenções partidárias.
As convenções partidárias, que ocorrem até 5 de agosto, ganham um protagonismo sem precedentes nas eleições de 2024. Com a definição dos candidatos ao Senado, executivo e legislativo estadual, os encontros se transformam em um palco crucial para a “repartição do poder”, influenciados diretamente pelas articulações da corrida presidencial. A possibilidade de renovação de até dois terços da Casa, com 54 das 81 cadeiras em disputa, intensifica a disputa e o interesse nacional pelas decisões tomadas nos estados.
A analista política Yolanda Tolentino explica que o Senado se tornou central no conflito entre os Poderes da República. A prerrogativa dos senadores de iniciar processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de aprovar indicações presidenciais para a corte confere à Casa um poder de arbitragem fundamental na relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Essa relevância estratégica, percebida primeiro pela oposição, nacionalizou as disputas que formalmente são estaduais.
A influência das candidaturas presidenciais nas articulações estaduais também é um fator determinante. Pré-candidatos à Presidência buscam garantir maiorias no Senado para assegurar a governabilidade de um eventual governo ou para fortalecer a oposição. Isso leva os comandos nacionais dos partidos a intervir diretamente nas convenções estaduais, que deixam de ser meras homologações para se tornarem momentos de intensa negociação e divisão de poder, especialmente com a necessidade de acomodar mais nomes na chapa.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo portal G1 e reportagens jornalísticas.
Corrida Presidencial Molda Cenários Estaduais
Em São Paulo, o maior colégio eleitoral, a disputa pelo Senado já aponta para a polarização nacional, com nomes definidos na órbita de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT). Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, a formação das chapas ainda é marcada por incertezas e intensas articulações entre os blocos de direita e esquerda.
No cenário mineiro, a ex-prefeita Marília Campos recusou a disputa pelo governo para se tornar o principal nome da esquerda ao Senado. No entanto, o PT enfrenta dificuldades com o afastamento de aliados como PDT e MDB, que lançarão candidatos próprios ao governo. A aliança com Rodrigo Pacheco (PSB) também se desfez, isolando o PT no estado. Do lado da direita, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) busca consolidar seu palanque, com o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG) como pré-candidato ao Senado. A indefinição do candidato do Republicanos ao governo aumenta o suspense sobre a formação completa da chapa.
O Peso da Família Bolsonaro e as Articulações no Rio e DF
No Rio de Janeiro, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência abriu espaço e gerou um vácuo eleitoral na direita para a disputa ao Senado. Seu irmão, Carlos Bolsonaro (PL-SC), mudou seu domicílio eleitoral para disputar uma vaga em Santa Catarina. O ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), inelegível após condenação, também teve sua situação impactada. As articulações para formar a chapa no Rio enfrentam obstáculos, com um dos pré-candidatos, Márcio Canella (União-RJ), sendo alvo de operação policial.
No Distrito Federal, a possível candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado, após deixar a presidência do PL Mulher, mexe com as estruturas do partido. Ela pode compor chapa com a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), disputando as duas vagas com o senador Izalci Lucas (PL-DF). A convenção do PL, marcada para 5 de agosto, definirá os nomes.
Cenários de Concorrência no Paraná e Goiás
No Paraná, as convenções partidárias devem confirmar um quadro de alta concorrência. Na aliança entre PL e Novo, os deputados Filipe Barros (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo-PR) são nomes certos. A esquerda aposta na ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) para tentar frear uma vitória expressiva da direita, com o PT lançando Dr. Rosinha para a segunda vaga. PSD e MDB também podem apresentar nomes fortes, como Alexandre Curi (Republicanos-PR) e a jornalista Cristina Graeml (PSD-PR), aumentando a disputa pelas duas cadeiras.
Em Goiás, o PL apresentará o deputado federal Gustavo Gayer e o vereador Oséias Varão (PL-GO) como candidatos ao Senado. A coligação liderada pelo governador Daniel Vilela (MDB-GO) busca otimizar suas candidaturas, com quatro nomes para as duas vagas: Gracinha Caiado (União-GO), Vanderlan Cardoso (PSD-GO), Zacharias Calil (MDB-GO) e Gustavo Mendanha (PRD-GO). Essa estratégia de lançar múltiplos candidatos a uma única vaga já foi utilizada em 2022, sem sucesso na conquista da cadeira.
