Conselho da Europa pede mais integridade na Fifa
O Conselho da Europa, entidade europeia focada em direitos humanos, fez um apelo à Fifa para que reforce a integridade do futebol mundial. A organização considera que a Copa do Mundo de 2026, sediada conjuntamente pelos Estados Unidos, Canadá e México, foi marcada por uma série de questionamentos que precisam ser endereçados.
A declaração surge no dia da final do torneio, que culminou com a vitória da Argentina sobre a Espanha. O secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, criticou abertamente o que chamou de “interrogação após interrogação” durante a realização do campeonato. Entre os pontos levantados estão a influência política em decisões da organização, o racismo contra jogadores e a expansão das apostas esportivas, que Berset considera um “caminho aberto para a fraude”.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela agência AFP.
Influência política e apostas em foco
Berset lamentou que a “influência política tenha se transferido para o campo”, citando como exemplo um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, para que reconsiderasse a suspensão do jogador americano Folarin Balogun. “Quando as regras se curvam diante da pressão, cada resultado fica em dúvida”, afirmou o secretário-geral, ressaltando o risco para a credibilidade das competições.
Outra preocupação expressa pelo Conselho da Europa é a parceria da Fifa com a ADI Predictstreet, um mercado de previsões que permite apostas em diversos aspectos do jogo, não se limitando apenas ao resultado final. Segundo Berset, essa prática “abre uma porta para a fraude” e que “esta Copa do Mundo abriu essa porta ainda mais”, ao permitir apostas em momentos específicos das partidas que não dependem diretamente do placar.
Um chamado para o futuro
Diante deste cenário, o Conselho da Europa defende um “diálogo construtivo” que se inicie imediatamente para a criação de um “marco de integridade” para a Copa do Mundo de 2030. A organização, que conta com 46 países membros e possui histórico na criação de tratados e convenções para a segurança e a ética no futebol, como acordos contra doping e manipulação de resultados, busca garantir que os próximos eventos esportivos sejam realizados sob os mais altos padrões de confiabilidade.
“Esta noite, o apito final encerrará o torneio. Que também marque o início do terceiro tempo e do urgente trabalho de fortalecer a integridade do esporte”, concluiu Berset, em um apelo para que a celebração do futebol não seja ofuscada por escândalos e irregularidades.
