Telescópio Webb revela galáxias com excesso de hélio na infância do Universo
Telescópio Webb revela galáxias com excesso de hélio na infância do Universo

Telescópio Webb revela galáxias com excesso de hélio na infância do Universo

Descoberta surpreendente de galáxias ricas em hélio na juventude do cosmos. Uma investigação internacional, com forte participação de pesquisadores brasileiros, utilizando dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST), revelou a presença de quantidades de hélio significativamente maiores do que o previsto em galáxias que existiram nos primórdios do Universo. O estudo, publicado na Monthly Notices […]

Resumo

Descoberta surpreendente de galáxias ricas em hélio na juventude do cosmos.

Uma investigação internacional, com forte participação de pesquisadores brasileiros, utilizando dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST), revelou a presença de quantidades de hélio significativamente maiores do que o previsto em galáxias que existiram nos primórdios do Universo. O estudo, publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, adiciona uma peça crucial ao complexo quebra-cabeça da evolução química do cosmos desde o Big Bang, há 13,8 bilhões de anos.

O hélio, o segundo elemento mais abundante no Universo e o mais simples dos gases nobres, é quimicamente inerte, o que significa que raramente se combina com outros elementos. Contudo, sua abundância pode fornecer informações valiosas sobre as origens e a evolução do Universo. A maior parte do hélio existente foi formada nos primeiros instantes após o Big Bang, com quantidades adicionais sendo produzidas pela fusão de hidrogênio em estrelas ao longo do tempo.

A correlação entre a quantidade de hélio em uma galáxia e seu processo de formação estelar é um ponto chave para entender a evolução cósmica. Pesquisadores da Univap, UFRGS e UFSM, em colaboração com cientistas estrangeiros, analisaram dados do programa JADES do Webb e outras fontes para determinar as proporções de hélio e oxigênio em 84 núcleos galácticos ativos (AGNs) – galáxias com buracos negros centrais que consomem matéria e emitem radiação intensa.

Galáxias antigas exibem mais hélio, desafiando teorias.

Ao agrupar as galáxias por distância, os astrônomos observaram um padrão intrigante: quanto mais distantes (e, portanto, mais antigas), maior a abundância de hélio. Em contraste, a quantidade de oxigênio tende a ser menor no passado remoto e a aumentar com o tempo.

Um achado particularmente notável foi a galáxia ativa GOODS-S MediumHST-58850. A luz que observamos desta galáxia foi emitida quando o Universo tinha apenas 900 milhões de anos. Os cálculos indicam que sua abundância de hélio é cerca de quatro vezes e meia superior à encontrada no Sol. Essa descoberta corrobora outras pesquisas recentes do Webb que sugerem um amadurecimento cósmico mais acelerado do que os modelos atuais previam.

Os cientistas agora se veem impelidos a revisar e adaptar seus modelos de formação estelar para acomodar essas novas observações. A descoberta reforça a ideia de que o Universo primitivo era mais dinâmico e complexo do que se imaginava, e que ainda há muito a ser descoberto sobre sua evolução inicial.

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