Cruzeiro gay impedido de atracar em portos da Turquia e Egito
Um cruzeiro voltado para o público LGBTQIA+, operado pela empresa Atlantis Events a bordo do navio Scarlet Lady, enfrentou um revés inesperado em sua rota pelo Mediterrâneo. O navio, que transportava cerca de 1.900 passageiros, em sua maioria americanos e homens gays, teve sua entrada negada tanto na Turquia quanto no Egito, ambos países de maioria muçulmana. A decisão gerou protestos e questionamentos sobre a coexistência entre turismo e conservadorismo social.
A parada programada para Kusadasi, na Turquia, em 7 de julho, foi cancelada momentos antes da partida de Atenas. Autoridades locais da província de Aydin justificaram a decisão afirmando que o cruzeiro foi “planejado por grupos conhecidos por comportamentos que não se alinham com a estrutura da nossa sociedade” e que “causou grande desconforto” à população turca. Posteriormente, uma tentativa de atracar em Alexandria, no Egito, em 9 de julho, também foi negada, embora sem uma justificativa formal apresentada pelas autoridades egípcias, segundo o presidente da Atlantis Events, Rich Campbell.
A notícia foi reunida a partir de informações divulgadas pela Reuters.
Rejeição com impactos econômicos e sociais
Tanto para os organizadores do cruzeiro quanto para alguns passageiros, a rejeição foi vista como excludente e economicamente ilógica. A Turquia e o Egito dependem fortemente do turismo, setor que tem sofrido com a instabilidade na região desde fevereiro. Randy Slovacek, jornalista e passageiro do Scarlet Lady, destacou o impacto financeiro negativo, mencionando excursões já agendadas e pagas por muitos dos viajantes.
“As pessoas na Turquia sabiam que estávamos indo; teria sido um impacto enorme para a economia”, comentou Slovacek, criticando a decisão como “não muito inteligente”. Ele acrescentou que nenhuma comunidade marginalizada deseja ser “chutada para a sarjeta” e que, apesar do ocorrido, ele seguirá em frente, lembrando-se de como foi tratado.
Reações e precedentes históricos
A renomada atriz e cantora da Broadway, Patti LuPone, que estava a bordo para se apresentar, expressou sua indignação nas redes sociais. “Estou chocada”, declarou LuPone, criticando a negação de entrada “simplesmente por causa de quem está a bordo”. Ela manifestou raiva, mas afirmou que o cruzeiro continuaria navegando.
Casos anteriores de cruzeiros semelhantes terem a permissão de atracar negada já ocorreram. Em 2012, Marrocos proibiu a parada de um cruzeiro gay em Casablanca por receio de protestos conservadores. Em 1998, as Ilhas Cayman negaram a entrada de um navio da Atlantis Events com 900 passageiros, a maioria gays, redirecionando-o para Belize.
Turismo e diversidade: um equilíbrio em xeque
O Scarlet Lady, conhecido por suas festas temáticas e atrações voltadas para a comunidade LGBTQIA+, tinha planos para eventos como a festa “It’s Bazaar”, que previa a exibição de relíquias compradas em mercados turcos. Campbell, da Atlantis Events, ressaltou que o conservadorismo e o turismo podem coexistir e não deveriam ser mutuamente excludentes. Ele mencionou que cruzeiros anteriores da empresa já haviam visitado esses países sem incidentes, sendo esta a primeira vez que a permissão foi negada por motivos aparentemente políticos.
A Virgin Voyages, proprietária do Scarlet Lady, descreve a experiência do cruzeiro como “hipersocial e infinitamente interativa”. Apesar das festas serem um componente do cruzeiro, Slovacek argumentou que a ideia de que o navio “levaria libertinagem” para os países é uma impressão equivocada, defendendo que o turismo inclusivo pode ser benéfico para as economias locais.
